Brasil e Turquia devem reagir à 'imobilidade' de países ricos, diz Dilma

Dilma, ao desembarcar na Turquia (Foto: Roberto Stuckert Filho - Presidência_ Direito de imagem Roberto Stuckert Filho PR
Image caption Presidente criticou 'políticas monetárias expansionistas'

A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira em Ancara que o Brasil e a Turquia devem se articular no G20 - grupo das 20 maiores economias do mundo - para lutar contra a "imobilidade política" dos líderes dos países ricos.

Em discurso a empresários brasileiros e turcos, que participam de um fórum de negócios na capital da Turquia, Dilma falou que as duas nações estão sofrendo com as políticas monetárias expansivas do mundo desenvolvido - em aparente referência a políticas de injeção de dinheiro na economia ou desvalorizações artificiais do câmbio, cujo efeito colateral é fazer o real subir e prejudicar a competitividade brasileira no exterior.

Na mesa, ao lado de Dilma, estava o ministro da Economia da Turquia, Mehmet Simsek.

"Como países emergentes, somos afetados pelas políticas de reação dos países desenvolvidos à crise, notadamente a expansão monetária, praticada por alguns bancos centrais, que levam a uma espécie de guerra cambial. Isso compromete os valores das nossas mercadorias", afirmou a presidente.

"Essas políticas monetárias excessivamente expansionistas têm sido remédio privilegiado que as economias mais desenvolvidas têm buscado nos últimos tempos e têm como efeito secundário a valorização artificial das nossas moedas."

Dilma defendeu que Brasil e Turquia devem se articular na cúpula do G20, em novembro em Cannes, na França, onde serão discutidas políticas articuladas para combater o desaquecimento da economia global. Muitos economistas temem que o mundo possa estar perto de entrar em uma nova recessão, sem ter ainda se recuperado da crise financeira de 2008.

"O Brasil e a Turquia podem contribuir no G20, por exemplo, para o prosseguimento das reformas nas instituições econômicas e financeiras internacionais, aumentando a participação de nossos países nas decisões que afetam diretamente os nossos povos", disse a presidente.

"Na cúpula de Cannes, Brasil e Turquia devem juntos pressionar por resultados concretos que superem muitas vezes a imobilidade política das lideranças envolvidas", disse Dilma.

Relações comerciais

O fórum onde Dilma discursou foi realizado para promover as relações comerciais bilaterais. Na última década, o comércio entre os dois países triplicou, com um salto de 60% só de 2009 para 2010.

A expectativa das autoridades é que o comércio bilateral supere a marca de US$ 2 bilhões neste ano. A presidente destacou que a rota aérea entre Istambul e São Paulo, operada pela Turkish Airlines, tem ocupação média de 90%.

O ministro da Economia turco anunciou uma missão de empresários da construção civil ao Brasil em novembro. A presidente convidou os empresários turcos do setor a participarem das obras de infraestrutura da Copa do Mundo de 2014.

Empresários brasileiros do setor de construção civil, presentes no fórum, disseram à BBC Brasil que, apesar de Ancara investir pesadamente em obras públicas de infraestrutura, há mais oportunidades para construtoras turcas no Brasil do que o contrário, já que o mercado é bastante competitivo na Turquia.

A presidente Dilma encontrou-se nesta sexta-feira com o presidente turco Abdullah Gul. O café da manhã que Dilma teria com o premiê Recep Tayyip Erdogan no sábado, em Istambul, foi cancelado, por causa da morte da mãe do primeiro-ministro.

Dilma expressou suas condolências a Erdogan, mas cometeu uma pequena gafe em seu discurso, chamando o premiê de "presidente", e tropeçando na pronúncia do seu nome.

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