Uso da força gera mais violência, diz Patriota sobre revoltas árabes

Patriota com Dilma em encontro empresarial na Turquia, nesta sexta (Foto: Roberto Stuckert Filho - Presidência) Direito de imagem Roberto Stuckert Filho PR
Image caption Patriota acompanha Dilma em sua viagem à Turquia

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta sexta-feira que o uso da força pode gerar mais violência e instabilidade, ao comentar em um discurso na Turquia os movimentos da Primavera Árabe.

Patriota disse também que Brasil e Turquia defendem a busca de soluções diplomáticas para os países envolvidos nas revoltas, em oposição ao que chamou de "interferências indevidas".

O governo da Turquia é um dos críticos do regime sírio de Bashar al-Assad, que tem endurecido no combate a protestos por reformas no país.

O Brasil, por sua vez, se absteve na votação de uma resolução contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU, na última terça-feira. Também havia se abstido na votação da resolução que aprovou a interferência da Otan (aliança militar ocidental) no conflito na Líbia.

‘Interferência indevida’

"Hoje todos acompanham com grande interesse o que se passa no mundo árabe, o chamado das populações mais jovens por liberdade, por melhores formas de governo, por prosperidade, por oportunidades, por emprego", afirmou Patriota em discurso a empresários e autoridades em Ancara.

"Eu tenho me coordenado muito com o chanceler (turco Ahmet Davutoglu) em torno dessas questões, que são complexas, mas sobre as quais o Brasil e a Turquia compartilham a visão de busca de soluções diplomáticas, de evitar a coerção, a interferência indevida, o uso da força – que muitas vezes trazem mais violência e mais instabilidade do que qualquer outra coisa."

O ministro brasileiro não citou nenhum país em seu discurso.

Em entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal turco Zaman, a presidente Dilma Rousseff foi questionada sobre a posição do Brasil em relação aos fatos ocorridos na Síria.

"Nós repudiamos veementemente a repressão brutal de populações civis. Mas nós continuamos convencidos de que, na comunidade internacional, o uso da força precisa ser o último recurso", disse Dilma.

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