Palestinos que serão soltos em troca de Shalit são 'lutadores', diz Abbas

Mahmoud Abbas e Hugo Chávez. AFP Direito de imagem AFP
Image caption Chávez voltou a dar respaldo ao Estado palestino; Abbas deu apoio a acordo Israel-Hamas

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou, nesta terça-feira, que os mil palestinos que serão libertados em troca da soltura do soldado israelense Gilad Shalit são “verdadeiros lutadores” da causa pela independência Palestina.

"Todos os que serão colocados em liberdade são verdadeiros lutadores, alguns deles permanecem na prisão há dezenas de anos", afirmou Abbas, na sede do governo da Venezuela, logo após reunião com o presidente Hugo Chávez.

Shalit foi capturado há cinco anos por militantes palestinos. Desde então, permanece sob tutela do grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Nesta terça-feira, o governo de Israel anunciou o acordo para libertação de Shalit, em troca de mil prisioneiros palestinos.

"Trabalhamos arduamente durante muito tempo para concluir esse assunto, para chegar a este fim", disse Abbas, líder do partido Fatah que governa a Cisjordânia. O grupo é adversário político do Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

"Para nós é algo que nos dá muita satisfação", acrescentou Abbas, durante passagem por Caracas. De acordo com o líder da ANP, mais de seis mil militantes palestinos estão detidos em prisões israelenses.

Abbas confirmou que a troca de Shalit pelos militantes palestinos será feita em etapas, porém, não deu detalhes de como será feito esse intercâmbio.

O acordo foi aprovado na noite desta terça-feira pelo gabiente do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. Segundo o premiê, a decisão representa um "equilíbrio correto" entre a necessidade de libertar o soldado, detido há cinco anos, e a obrigação do governo de garantir a segurança de Israel.

Independência palestina

Acompanhado de Chávez, Abbas denunciou que "lamentavelmente", a política de colonização israelense em territórios palestinos continua. Porém, afirmou que "continuarão lutando até alcançar a independência da Palestina".

Abbas condiciona a retomada de diálogo com Israel ao fim da expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. O governo Netanyahu se nega aceitar a proposta. Na última semana, foram ordenadas a construção de mais mil casas para colonos israelenses em território palestino.

Defensor da criação do Estado palestino, Chávez reiterou seu apoio à devolução dos territórios ocupados por Israel à Autoridade Palestina.

"(Retorno) às fronteiras de 1967, que é a resolução das Nações Unidas, mas os Estados Unidos impedem que se cumpra (a resolução)", afirmou Chávez, que rompeu relações com Israel logo após o bombardeio deste país à Faixa de Gaza, em 2009.

Giro latino-americano

A visita de Abbas a Caracas - que não estava prevista no início de seu giro pela região – ocorre depois de uma breve passagem pela Colômbia, El Salvador e a República Dominicana.

Em Bogotá, Abbas pretendia convencer o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a mudar de opinião e votar a favor da criação do Estado palestino durante votação no Conselho de Segurança da ONU.

A Colômbia, principal aliado dos Estados Unidos na região, é o único país da América do Sul que ainda não reconheceu o Estado palestino.

Como era esperado, o presidente colombiano não garantiu apoio e insistiu que a criação do Estado palestino deve ser fruto de uma negociação com Israel e não de uma decisão das Nações Unidas, posição defendida pelos governos de Washington e Tel Aviv.

"Vamos explorar esses caminhos. Estamos analisando o melhor passo para que as duas partes se sentem para negociar, o mais rápido possível", afirmou Santos, nesta terça-feira, acompanhado de Abbas em Bogotá.

O líder da ANP disse não ver contradições entre estabelecer um diálogo com Israel e ser reconhecido pela ONU.

"Se nós conseguirmos qualquer resultado nas Nações Unidas, na prática, vamos voltar à mesa de negociação e vamos debater ali todas as questões até a solução final", afirmou Abbas.

A Colômbia ocupa uma das dez cadeiras rotativas no Conselho de Segurança da ONU. Os cinco membros permanentes com poder de veto são Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França.

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