Senado dos EUA aprova lei que pune China por desvalorização da moeda

Yuan e dólar. Reuters Direito de imagem REUTERS
Image caption Para analistas, China ganha competitividade de forma artificial ao desvalorizar o yuan

O Senado americano aprovou nesta terça-feira, com 63 votos a favor e 35 contra, um projeto de lei com o objetivo de aumentar a pressão para que a China valorize sua moeda.

A proposta dá aos Estados Unidos o poder de impor tarifas maiores a produtos importados de países que subsidiam suas exportações ao manter suas moedas desvalorizadas, como forma de compensar a perda de competitividade dos produtos americanos decorrentes desse artifício.

O governo americano costuma acusar a China de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada, o que daria uma vantagem "injusta" às suas exportações, já que seus produtos ficariam mais baratos do que os de países que não recorrem à medida.

A aprovação no Senado ocorreu em meio a manifestações contrárias à proposta por parte do governo chinês e da oposição republicana e temores da própria Casa Branca de que a medida, caso seja implementada, provoque uma "guerra comercial" com a segunda maior economia do mundo.

No entanto, o futuro da lei é incerto. A proposta foi encaminhada à Câmara dos Representantes (equivalente a deputados federais), que é controlada pelo Partido Republicano.

Líderes do partido de oposição já manifestaram críticas à medida e cobram uma posição formal da Casa Branca sobre o assunto antes de levar a proposta adiante.

Empregos

Muitos nos Estados Unidos dizem que a manipulação da moeda chinesa é reponsável pela perda de empregos nos Estados Unidos.

Segundo a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a lei reflete uma "grande frustração" do povo americano.

O desemprego é um dos principais problemas dos Estados Unidos. Há mais de dois anos a taxa de desemprego americana permanece em torno de 9%, patamar considerado alto pelo próprio governo.

O crescimento da economia americana tem sido mais lento do que o esperado e insuficiente para reverter o problema.

A frustração dos americanos também é dirigida ao crescente déficit na balança comercial com a China.

No ano passado, os Estados Unidos amargaram déficit de US$ 273 bilhões (cerca de R$ 480 bilhões) com o parceiro asiático.

No entanto, empresas americanas temem que a lei possa provocar retaliação dos chineses contra produtos dos Estados Unidos.

A mera discussão do projeto, na semana passada, já havia provocado irritação no governo chinês, que classificou a medida de "protecionista".

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