Organismos dão sinal verde para nova parcela de resgate à Grécia

Manifestante grego durante protesto em Atenas contra medidas de austeridade (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Medidas de austeridade exigidas internacionalmente são impopulares na Grécia

Inspetores financeiros internacionais dizem ter chegado a um acordo com a Grécia para a implementação de reformas que almejam colocar a economia do país "nos eixos" e que permitirão ao país receber uma nova parcela de seu pacote de resgate financeiro.

"Medidas econômico-financeiras" foram acertadas entre Atenas e o trio de organismos multilaterais (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu) que têm em mãos a decisão de se o país está apto a receber novos empréstimos para pagar suas dívidas e evitar uma moratória iminente.

Em comunicado emitido nesta terça, o trio indica que a Grécia receberá mais 8 bilhões de euros (R$ 19 bilhões) – de um total de 110 bilhões de euros (R$ 263 bilhões) de seu pacote de resgate aprovado no ano passado –, após o aval dos ministros das Finanças da zona do euro e da diretoria executiva do FMI.

"Assim que (os ministros da zona) do euro e o FMI aprovarem as conclusões da quinta revisão (dos indicadores macroeconômicos gregos), a nova parcela de 8 bilhões de euros estará disponível provavelmente no início de novembro", diz o comunicado.

Dessa quantia, 5,8 bilhões devem vir dos países-membros da zona do euro, e 2,2 bilhões devem ser emprestados pelo FMI.

Indicadores gregos

A revisão dos indicadores gregos, feita em auditoria da UE e do FMI, apontou que a Grécia conseguiu realizar uma significativa redução do deficit público, mas também que a contração da economia e algumas das medidas de ajuste adotadas impediram que fosse atingida a meta fiscal original.

No início deste mês, o governo grego já havia anunciado que não conseguiria cumprir os cortes orçamentários estabelecidos pelos organismos multilaterais.

As projeções mostravam que o deficit para 2011 será de 8,5% do PIB do país – uma queda em relação aos 10,5% registrados em 2010, mas menos do que a meta de 7,6%.

"O sucesso do programa (de recuperação econômica) continuará a depender de mobilizar financiamento adequado por parte do setor privado e do setor oficial (para evitar uma moratória grega)", diz o comunicado emitido pelo trio de organismos nesta terça. "Discussões em curso com o setor privado e garantias providas por líderes europeus sugerem que o programa (de recuperação grega) permanece plenamente financiado."

O trio estabeleceu que a Grécia tem que cortar mais 14,9 bilhões de euros até 2012 para que haja uma "implementação determinada" do plano de austeridade do país, altamente impopular entre a população e alvo de constantes protestos. Também tem que seguir adiante com um projeto de privatizações supervisionado por um fundo independente.