Israel anuncia acordo para libertação de Shalit em troca de presos palestinos

Noam Shalit em protesto pela libertação do filho. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Shalit foi capturado quando tinha 19 anos; ele será levado ao Egito antes de seguir de volta a Israel

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciou nesta terça-feira um acordo com o grupo militante palestino Hamas que deve possibilitar a libertação do soldado Gilad Shalit em troca de mil prisioneiros palestinos detidos em cadeias israelenses.

Segundo o premiê, o acordo representa um "equilíbrio correto" entre a necessidade de libertar o soldado, hoje com 25 anos, e a obrigação do governo de garantir a segurança de Israel.

O acordo foi aprovado por 26 ministros do gabinete de Netanyahu na noite deste terça-feira. Apenas três integrantes foram contrários, entre eles o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman.

Netanyahu afirmou mais cedo que o acordo foi uma "decisão difícil", que foi tomada com o objetivo de salvar a vida de Shalit. Segundo o premiê, com a situação atual do Oriente Médio não se sabe quando um outro acordo poderia ser negociado.

O gabinete de Segurança de Israel se reuniu na noite desta terça-feira para aprovar os detalhes do acordo com o Hamas. Capturado há cinco anos, Shalit será libertado em troca de mil prisioneiros palestinos.

Ativistas festejam libertação

Na barraca montada pelos pais de Shalit, Noam e Aviva, em frente à residência de Netanyahu, os ativistas em prol da libertação do soldado já começaram a festejar o acordo.

Gilad Shalit foi capturado no dia 25 de junho de 2006, quando participava de uma patrulha em território israelense, junto à fronteira com a Faixa de Gaza.

Uma organização denominada Exército do Islã assumiu inicialmente a responsabilidade pela captura do soldado. Meses depois, o jovem israelense, na época com 19 anos, foi transferido para a tutela do Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza.

De acordo com as informações do canal 10 da TV israelense, o governo egípcio intermediou o acordo junto a representantes de Israel e do Hamas, no Cairo.

O próprio chefe do braço armado do Hamas, Ahmed Jabari, que se encontra no Cairo, aprovou pessoalmente o acordo.

Analistas militares israelenses afirmam que todas as forças de segurança de Israel, incluindo os serviços de Inteligência, já garantiram apoio à troca de prisioneiros.

Libertação por etapas

De acordo com o analista militar do canal 10, Alon Ben David, a troca de Shalit pelos detentos palestinos será feita em etapas.

Em uma primeira etapa Israel deverá libertar 300 prisioneiros e em seguida o Hamas transferirá o soldado israelense para o Cairo.

Depois da chegada de Shalit ao Cairo, Israel deverá libertar mais 150 prisioneiros, completando assim a soltura de 450 presos mencionados na lista preparada pelo Hamas.

Em uma terceira etapa Israel deverá libertar mais 550 prisioneiros que serão escolhidos pelas autoridades israelenses. Só então Shalit será transferido para Israel.

Antes da reunião do gabinete, Netanyahu telefonou a Noam e Aviva Shalit e, segundo o canal 10, teria dito que "chegou à conclusão de que a libertação do soldado é agora ou nunca".

O premiê também teria dito aos pais do soldado que se criou uma "janela estreita de oportunidade" para a libertação de Shalit, frente à fragilidade dos regimes no Oriente Médio.

Segundo a imprensa local, Netanyahu disse que o governo chegou à conclusão de que o soldado corria risco de vida. O premiê ainda teria dito que desde o início de sua gestão esperava pelo momento em que pudesse dizer a Noam e Aviva Shalit que seu filho seria finalmente libertado.

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