Candidatos de oposição brigam pelo segundo lugar em eleição argentina

Hermes Binner, candidato à presidência argentina. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Governador de Santa Fé, com baixa rejeição, Binner é o mais cotado para o segundo lugar

Na reta final para a eleição presidencial deste domingo, com as pesquisas indicando o favoritismo da presidente Cristina Kirchner, os candidatos da oposição apostam suas fichas na disputa no segundo lugar com poucas esperanças de que haverá um segundo turno.

A força da presidente nas urnas fez, nos últimos dias, os três principais candidatos da oposição repetiram a mesma frase: 'Estou em segundo lugar'".

Foi o caso de Ricardo Alfonsín, do Udesco, de Hermes Binner, da Frente Ampla Progressista (FAP), e de Alberto Rodríguez Saá, do Compromisso Federal.

"Estou em segundo e disputarei o segundo turno", disse Saá, que é governador da província de San Luis.

O analista político TV TN (Todo Noticias), Adrián Ventura, disse, no entanto, que "tudo indica que Binner ficará em segundo", devido a seu menor índice de rejeição popular.

Numa entrevista com correspondentes estrangeiros, Binner, que é governador da província de Santa Fé, disse acreditar que há chances de derrotar a atual presidente: "Se a eleição estivesse definida, então deveríamos perguntar para que realizá-la".

A expectativa no entanto, é de que Cristina Kirchner chegue a ser eleita no primeiro turno, neste dia 23 de outubro.

Para ser eleito no primeiro turno, o candidato deve receber pelo menos 45% dos votos válidos ou receber pelo menos 40% da votação válida e dez por cento de vantagem em relação ao segundo candidato mais votado.

Nas eleições primárias de agosto, Cristina Kirchner teve trinta pontos mais de votos que os demais presidenciáveis. As primárias foram definidas como uma "pré-eleição", já que os eleitores de todo o país foram às urnas para votar no candidato de sua preferência e não apenas no candidato de seu partido, como normalmente ocorre numa primária.

Foi o resultado desta eleição de agosto que levou os opositores a entenderem que Cristina Kirchner deverá ter mais votos que eles neste domingo e podendo até ser eleita, já neste primeiro turno.

Congresso

Os opositores também intensificaram a campanha para tentar evitar uma possível derrota no Congresso Nacional. Atualmente, a oposição tem maioria na Câmara e o governo maioria no Senado.

Alfonsín, filho do ex-presidente Ricardo Alfonsín (1983-1989), pediu que os eleitores deem seu voto para que a oposição possa "controlar o governo no Congresso".

"Se não formos eleitos para a Presidência pelo menos devemos ser fortes no Congresso", afirmou.

Na mesma linha , o deputado da oposição Adrián Pérez, candidato a vice na chapa da Coalición Cívica (CC) disse que "devemos pelo menos trabalhar para evitar que o governo tenha maioria no Congresso".

No próximo domingo, além de escolher o presidente, os eleitores também irão renovar parte da Câmara dos Deputados e o Senado, além de alguns governos e legislaturas provinciais.

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Image caption Diante da vitória quase certa de Cristina, Alfonsín tenta manter a oposição como maioria no Congresso

Crescimento econômico

Entrevistados pela BBC Brasil, os deputados da oposição Adrián Pérez, da Coalición Cívica, e Federico Pinedo, do PRO ( Propuesta Republicana), apontaram o crescimento da economia e a fragmentação da oposição como fatores "decisivos" para explicar o favoritismo de Cristina.

"Existe uma grande possibilidade de que o governo vença e com comodidade", afirmou Pérez. "O país está crescendo fortemente há quase oito anos e gerando maior consumo".

Para Pérez,os eleitores avaliam que o governo Kirchner "enfrentou bem" a crise de 2008 e que estaria pronto para outros momentos de insegurança, apesar dos possíveis efeitos da crise internacional na economia argentina,

Oposição fragmentada

Na opinião de Pérez, o eleitorado parece avaliar que o crescimento econômico tem "mais peso" que outras questões como "a fragilidade das instituições argentinas e o aumento da inflação".

Pinedo lembrou que a oposição venceu o governo nas eleições legislativas de 2009, quando estava mais unida.

"Hoje, são seis candidatos (a presidente) da oposição. E em 2009 eram duas grandes forças políticas e assim vencemos o kirchnerismo", afirmou.

Também para ele, a eleição de domingo "parece estar definida para o governo". Como Pérez, Pinedo entende que a "explosão de consumo" deverá levar o eleitor a votar na presidente.

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Image caption Bom desempenho da economia é o principal trunfo de Cristina para sua provável reeleição

"As pessoas consomem para evitar os efeitos da inflação", disse.

Crescimento acelerado

O analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, disse à BBC Brasil que, segundo o FMI, a Argentina será, este ano, o segundo país com a maior taxa de crescimento do mundo, depois da China.

"É também um dos recordistas em inflação e em consumo", afirmou.

Para Fraga, fatores "emocionais" também influenciam no desempenho eleitoral da presidente.

"A morte de Nestor Kirchner (2003-2007), fez Cristina parecer uma figura nova (na política). Na verdade, o governo dela, sozinha, só tem um ano, desde a morte dele (ex-presidente e seu antecessor)", afirmou.

Até então, ambos eram chamados de "o casal presidencial".

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