Boca de urna aponta para releeição de Cristina Kirchner na Argentina

Atualizado em  23 de outubro, 2011 - 20:41 (Brasília) 22:41 GMT
Cristina Kirchner (Reuters)

Presidente pode ser reeleita com maior votação desde Perón

Minutos após o fechamento das urnas na Argentina, neste domingo, as principais emissoras de televisão do país informaram que a presidente Cristina Kirchner pode ter sido reeleita em uma vitória "arrasadora".

Sem mencionar institutos de opinião em que baseavam suas pesquisas, as emissoras TN (Todo Noticias), C5N e America informaram que Cristina teria tido mais de 55% dos votos e que o segundo colocado, o governador Hermes Binner, da província de Santa Fé, teria cerca de 16%.

No início da noite, uma multidão já estava concentrada em frente à Casa Rosada, a sede da Presidência, comemorando a possível vitória com bandeiras e cartazes de Cristina, do seu marido e antecessor, Nestor Kirchner, do ex-presidente Juan Domingo Perón e da ex-primeira dama Evita Perón.

"Se ela tiver estes 55%, como tudo indica, será a presidente mais votada desde o retorno da democracia em 1983", disse à BBC Brasil Rosendo Fraga, analista do Centro de Estudos Nova Maioria.

Para outro analista, Jorge Giacobbe, do instituto Giacobbe e Associados, "nada impedirá que Cristina realize suas medidas" após esta votação.

Boca de urna

De acordo com as pesquisas de boca de urna, Cristina teria recebido mais votos que todos os presidentes eleitos desde o retorno da democracia em 1983 e a maior votação desde que o ex-presidente Juan Domingo Perón, criador do peronismo, recebeu 62% dos votos em 1974.

As pesquisas também indicam que o governo poderia ter aumentado sua base na Câmara dos Deputados e no Senado.

Na Câmara, até então, o governo de Cristina Kirchner dependia dos aliados para aprovar suas medidas e no Senado a oposição tinha maioria dos votos.

Os eleitores argentinos votaram, neste domingo, para presidente e vice, para renovar metade da Câmara dos Deputados (cento e trinta cadeiras) e parte do Senado (das setenta e duas cadeiras, vinte e quatro serão renovadas) e para governador, somente em nove das vinte e quatro províncias do país.

A possível vitória da presidente, neste primeiro turno, já era anunciada por pesquisas de intenção de votos divulgadas nos últimos dias.

O favoritismo foi confirmado na eleição primária realizada no dia 14 de agosto, quando a presidente recebeu mais de 50% dos votos e registrou uma diferença de trinta e oito pontos percentuais para o segundo colocado.

A votação foi definida como uma "pré-eleição geral" já que os eleitores votaram nos candidatos de sua preferência, independente do partido que seriam ou não filiados.

O clima de previsibilidade do resultado deste domingo contribuiu, segundo analistas, para a falta de campanha nas ruas e de polarização entre os candidatos.

Apoio

Na hora de votar, a presidente disse, com voz embargada, que "de algum lugar" o ex-presidente Kirchner estaria "apoiando" a sua reeleição.

"Onde ele esteja, certamente está aprovando este dia", afirmou ao votar, vestida de negro, em Rio Gallegos, na Patagônia.

Foi a sua primeira eleição sem a parceria política com o marido que a acompanhou nas suas eleições legislativas e presidenciais, em 2007.

"Eleitoralmente, Cristina Kirchner terá mais poder que seu marido, que foi eleito com 22% dos votos (porque o ex-presidente Carlos Menem renunciou à disputa). Mas ela tem uma série de desafios, principalmente econômicos, pela frente", disse Jorge Giacobbe.

Analistas políticos também acreditam que o novo mapa político argentino será "dominado pelo cristinismo", que seria uma espécie de continuação política do peronismo.

Na Argentina, para ser eleito presidente no primeiro turno, o candidato precisa receber 45% dos votos ou 40% com uma diferença superior a 10% em relação ao segundo colocado na disputa.

A posse dos eleitos está marcada para o dia dez de dezembro próximo.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.