Começa votação na Argentina, com Cristina Kirchner como favorita

Votação em Buenos Aires (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Eleitores já começaram a votar no país

Mais de 28 milhões de argentinos votam neste domingo na eleição presidencial do país, que tem a atual presidente, Cristina Kirchner, como favorita para se reeleger já no primeiro turno.

Nas primárias realizadas em agosto, ela conseguiu 50% dos votos da população, e chegou a se especular que a presidente pudesse alcançar um resultado histórico neste domingo, com o maior número de votos desde a volta da democracia ao país, em 1983.

De acordo com analistas, dois fatores fundamentais levaram ao favoritismo de Kirchner.

O primeiro seria relacionado à economia argentina, que vem apresentando bons resultados, principalmente devido à exportação de commodities.

O governo também implementou programas sociais, como o que beneficia três milhões de crianças pobres e o que distribui laptops para moradores de áreas menos privilegiadas, mas os críticos dizem que estas medidas são populistas e insustentáveis.

O segundo fator chave seria o efeito que a morte de seu marido, Nestor Kirchner, há um ano, teve sobre sua liderança.

"Cristina conseguiu se transformar na líder autônoma que nunca foi", disse à BBC Mundo Marcos Novaro, diretor do Centro de Pesquisas Políticas da Universidade de Buenos Aires.

"Seu surgimento como líder acabou, de alguma maneira, resolvendo uma crise de liderança que existe na Argentina desde 2001/2002", complementou Graciela Romer, da firma de análise de mercado Romer e Associados.

"Ainda que a popularidade de Cristina Kirchner também tenha sido impulsionada pela falta de uma oposição."

Se reeleita, o maior desafio da presidente será controlar a inflação, que é a segunda mais alta da América Latina, atrás apenas da Venezuela.

Oposição 'desarticulada'

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Image caption Segundo analistas, Cristina Kirchner teria surgido como líder após morte do marido

Para o analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, se a oposição tivesse "unida e articulada", Kirchner teria menor vantagem e talvez tivesse que disputar o segundo turno (previsto para novembro).

A crise da oposição se reflete na quantidade de candidaturas opositoras neste domingo – seis, no total.

"E os dois principais candidatos da oposição, (Eduardo) Duhalde e (Ricardo) Alfonsín, devem registrar drástica queda nas urnas em relação a agosto", afirmou Fornoni.

Duhalde governou o país entre 2002 e 2003 e apoiou a eleição do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido e antecessor de Cristina. Alfonsín é filho do ex-presidente Raul Alfonsín (1983-1989).

Neste domingo, também serão eleitos 130 deputados e 24 senadores. Os partidos de oposição buscam manter uma presença política que permita que eles construam uma base durante os próximos quatros anos.

Alguns políticos de oposição, como Elisa Carrió, que ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de 2007, disseram publicamente que o partido do governo tentará mudar a lei para permitir que Cristina Kirchner concorra uma vez mais à reeleição.

Figuras importantes do governo argentino, como o chefe de gabinete Anibal Fernández, no entanto, rejeitaram essa possibilidade.

Reformas deste tipo já causaram polêmica em outros países latinoamericanos, como Honduras, onde desencadeou o golpe de Estado que derrubou Manuel Zelaya, Colômbia, com Álvaro Uribe, e Venezuela, com Hugo Chávez.

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