Tunisianos vão às urnas na primeira eleição da Primavera Árabe

Posto de votação na Tunísia (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Eleitores vão às urnas na Tunísia nove meses após queda de Ben Ali

Tunisianos começaram a ir às urnas na manhã deste domingo na primeira eleição livre da Primavera Árabe, nove meses depois da queda do ex-presidente Zinedine el Abidine Ben Ali.

Os eleitores escolherão uma assembleia com 217 assentos que redigirá uma nova constituição e nomeará um governo interino.

O partido islâmico moderado Ennahda deve receber grande parte dos votos, mas ainda não está claro se será o suficiente para alcançar uma maioria.

A campanha foi marcada por preocupações a respeito de divisões entre islamistas e secularistas, financiamentos políticos e a apatia dos eleitores, mas conforme o dia da votação se aproximava, um clima de otimismo teria se espalhado pelo país, segundo correspondentes da BBC.

Expectativa

A mãe de Mohamed Bouazizi, o jovem que deu início aos protestos, após atear fogo ao próprio corpo por ter os produtos de sua venda confiscados pela polícia, disse à agência de notícias Reuters que a eleição representa a vitória da dignidade e da liberdade.

"Agora estou feliz que a morte de meu filho tenha possibilitado irmos além do medo e da injustiça", disse Manoubia Bouazizi.

"Estou otimista, desejo sucesso a meu país."

Ao contrário da vizinha Líbia, a transição de um regime autoritário para um democrático na Tunísia vem acontecendo de forma pacífica.

Islamistas x Secularistas

O partido islâmico moderado Ennahda vem tentando amenizar as preocupações dos secularistas declarando seu comprometimento com a democracia e os direitos das mulheres.

Seu maior rival deve ser o secularista Partido Democrático Progressista (PDP).

Há sete milhões de pessoas em idade eleitoral na Tunísia e mais de cem partidos se registraram para participar das eleições deste domingo, assim como candidatos independentes.

Centenas de observadores internacionais vão monitorar o pleito, que gerou enorme expectativa não só no país, como em todo o mundo árabe, já que a Tunísia liderou a Primavera Árabe.

O ex-líder Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita no dia 14 de janeiro, em meio a uma série de revoltas populares, após 23 anos no poder.

Desde então, a economia do país vem sofrendo com a queda no turismo e nos negócios.

A votação termina às 19h, horário local, e os resultados devem ser divulgados na segunda-feira.

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