Análise: O trabalho duro na zona do euro está só começando

Sarkozy e Merkel. AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Engenharia financeira poderá multiplicar parte do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira

Os líderes da zona do euro chegaram a um acordo na última noite que foi melhor do que os investidores temiam e pior do que eles próprios desejavam.

O acordo com os bancos e credores do setor privado para que o governo grego pague apenas metade do que deve a eles só foi fechado no último momento.

Também será visto como um avanço o fato que 250 bilhões de euros do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira poderão ser multiplicados por quatro ou por cinco por meio de uma engenharia financeira – pela qual o presidente francês Nicolas Sarkozy espera contar com o envolvimento da China no resgate de países altamente endividados como a Itália.

Enquanto os mercados reagiram positivamente à notícia, os investidores gostariam de ver um fundo de resgate de pelo menos 2 trilhões de euros e o enxugamento da dívida grega à ordem de 60%.

Outro ponto extremamente importante é que agora temos, com a "alavancagem" do fundo de resgate e a redução da dívida grega, uma declaração do que os líderes da zona do euro desejam alcançar. Os detalhes técnicos da implementação, confusa e complicada, ainda estão por vir.

Há outros dois aspectos importantes.

O primeiro é que já foi confirmado que os bancos europeus terão de levantar 106,4 bilhões de euros em dinheiro novo – sendo que os bancos gregos terão de levantar 30 bilhões, os espanhóis 26 bilhões, os italianos 15 bilhões, os franceses 9 bilhões e os alemães 5 bilhões.

Talvez o fato mais significativo tenha sido o anúncio de que haverá controle mais restrito no futuro sobre as contas dos países membros da zona do euro.

Também haverá um sistema de impostos integrado e um novo modelo de governança, incluindo uma estrutura de liderança que acabará rivalizando com o mecanismo de tomadas de decisão de toda a União Europeia.

A implicação é que a zona do euro ficará mais parecida com um superestado. Países de fora da união monetária, como o Reino Unido, terão, assim, menos influência nas decisões econômicas da União Europeia.

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