Só ações audaciosas farão G20 evitar cenário ‘sombrio’, diz OCDE

Atualizado em  31 de outubro, 2011 - 17:30 (Brasília) 19:30 GMT
Secretário-geral da OCDE, Angel Gurría/Reuters

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, elogiou o plano europeu para lidar com a crise

Os líderes do G20 precisam adotar nesta semana "medidas audaciosas" para permitir a recuperação da economia mundial, declarou nesta segunda-feira a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reduziu suas previsões de crescimento do PIB nos países avançados.

O alerta da organização foi dado poucos dias antes da cúpula dos governantes do G20 – que reúne países ricos e principais economias emergentes e representa 85% do PIB mundial – nos dias 3 e 4 de novembro em Cannes, na França.

A OCDE prevê que o crescimento do PIB nas economias desenvolvidas "vai permanecer fraco nos próximos dois anos", enquanto o ritmo das atividades nas grandes economias emergentes deverá ser menor do que no período anterior à crise atual.

A economia chinesa, por exemplo, única entre os grandes emergentes mencionada no documento, deverá crescer 9,3% neste ano, 8,6% em 2012 e 9,5% em 2013.

Já o crescimento do PIB na zona do euro - que deverá atingir 1,6% neste ano - será de apenas 0,3% em 2012, contra 2% estimados anteriormente.

Alguns países do bloco podem inclusive sofrer retração do PIB, segundo as estimativas da organização. A previsão para a economia americana também é pouco animadora, já que ela deve ter um desempenho fraco, com recuperação gradativa a partir de 2012.

Futuro sombrio

Previsão de crescimento para 2011*

  • China: 9,3%
  • Zona do euro: 1,6%
  • EUA: 1,7%
  • G20: 3,9%

* dados da OCDE

Diante desse cenário, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, fez um alerta, dizendo que as perspectivas podem ser "sombrias" se os líderes do G20 não adotarem ações decisivas para restabelecer a confiança dos mercados e para resolver o problema da crise das dívidas soberanas na zona do euro.

A organização estima que uma deterioração das condições financeiras, como a ocorrida durante a crise de meados de 2007 a 2009, pode representar uma redução de até 5% do PIB de algumas economias até o primeiro semestre de 2013.

Gurría, no entanto, elogiou o plano europeu adotado na semana passada para lidar com a crise das dívidas soberanas e os problemas do setor bancário do continente, mas alertou que essas medidas devem ser implementadas "rapidamente e vigorosamente".

Previsão de crescimento para 2012*

  • China: 8,6%
  • Zona do euro: 0,3%
  • EUA: 1,8%,
  • G20: 3,8%

* dados da OCDE

Se os líderes do G20 adotarem na reunião em Cannes ações decisivas para restaurar a confiança dos mercados, haverá um cenário mais otimista que favorecerá o crescimento econômico e a criação de empregos, na avaliação da OCDE.

Crise americana

Outra ameaça à economia global é a possibilidade de os Estados Unidos adotarem uma política orçamentária muito restritiva, que impediria a retomada do crescimento.

A economia americana deverá crescer 1,7% em 2011 e apenas 1,8% em 2012, sendo que a previsão inicial era de 3,1%.

O cenário japonês também foi analisado pela organização, que prevê uma contração de 0,5% do PIB neste ano e, em 2012, um crescimento de 2,1%.

Ainda segundo as projeções da OCDE, o PIB do G20 deverá registrar expansão de 3,9% neste ano e 3,8% em 2012. Em 2013, a estimativa é de crescimento de 4,6%.

Essa média, no entanto, oculta grandes diferenças entre grupos de países, ressalta a OCDE, afirmando que os mercados emergentes são mais "vigorosos, apesar de um leve enfraquecimento".

O documento da OCDE sobre o G20 foi publicado no mesmo dia em que a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, informou que o desemprego na zona do euro atingiu recorde histórico em setembro, de 10,2% da população ativa. A Espanha registra a pior taxa de desemprego, de 22,6%.

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