Análise: Referendo grego pode trazer novas incertezas para zona do euro

Manifestante grego (20 de outubro) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Gregos terão que ser convencidos a aceitar austeridade em troca de pacote de resgate

O referendo convocado pelo primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, para decidir se o país adotará o plano de resgate financeiro que prevê uma séria de medidas de austeridade pode significar novas incertezas para a zona do euro.

O acordo, anunciado na semana passada, foi repentinamente colocado em dúvida.

O premiê grego, George Papandreou, surpreendeu seu próprio partido ao anunciar a consulta popular.

"Se os gregos não quiserem, ele (o acordo) não será adotado", disse ele.

Se isso acontecer, a zona do euro vai ser jogada em uma nova onda de incertezas.

Na semana passada, líderes da zona do euro concordaram com um segundo pacote de resgate financeiro para a Grécia, avaliado em 130 bilhões de euros, assim como o compromisso dos bancos em cortar em 50% as dívidas do país.

Mas os gregos parecem cada vez mais insatisfeitos com o acordo.

No final de semana, durante um importante dia que marca a resistência grega na Segunda Guerra Mundial, o presidente do país foi vaiado e chamado de traidor. Ocorreram manifestações contra o acordo.

Uma pesquisa sugere que 60% dos gregos enxerga o pacote negativamente, mesmo cancelando metade de sua dívida.

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Image caption Um calote grego é temido por poder causar o contágio na zona do euro

A população do país está ciente das medidas de austeridade e de que o futuro da Grécia será decidido por oficiais não eleitos da União Europeia e do FMI.

Esta é uma aposta alta do primeiro-ministro grego.

Ele argumentará que é do interesse nacional grego apoiar o acordo. Sem ele, dirá Papandreou, o país enfrentará a falência e a catástrofe. Sua campanha será baseada no patriotismo.

Mas em visitas recentes ao país, encontrei muita gente que preferiria o caos em vez de anos de dificuldades.

O referendo só acontecerá após os detalhes do acordo serem finalizados com a União Europeia. Isso, obviamente, permitirá ao governo grego negociar termos mais brandos, nas esperança de convencer os eleitores.

Os governantes gregos vêm se especializando em negociar com líderes europeus.

Por um lado, eles pedem solidariedade, mas de outro sabem que um calote grego é temido por poder causar o contágio na zona do euro.

Alguns argumentarão que, mais uma vez a democracia impediu que se chegasse a um acordo duradouro para resolver a crise do euro.

Mas, no final, o pacote de austeridade em troca de novo resgate não pode ser simplesmente imposto aos gregos. A população do país terá que ser convencida disto.

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