Oposição pede a renúncia do primeiro-ministro grego

George Papandreou fala ao parlamento grego. Direito de imagem Reuters
Image caption George Papandreou levantou a possibilidade de um governo de coalizão na Grécia

O principal partido de oposição da Grécia voltou a exigir que o primeiro-ministro grego George Papandreou renuncie ao cargo na noite desta quinta-feira, causando incerteza sobre os planos para um governo de coalizão.

O líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, também pediu por eleições imediatas antes de conduzir os membros do partido de centro-direita em uma saída dramática do parlamento.

O governo de Papandreou enfrentará uma votação de desconfiança crucial na próxima sexta-feira.

Horas antes, ele disse que o apoio da oposição poderia fazer com que o país 'abrisse mão' dos planos para um referendo sobre o acordo de resgate com a União Europeia, cujo resultado pode indicar a permanência ou não do país na zona do euro.

A proposta do referendo dividiu o partido do governo, o socialista Pasok, irritou líderes europeus e causou turbulência nos mercados internacionais.

O correspondente da BBC em Atenas Gavin Hewitt diz que o povo grego testemunhou 24 horas de disputas de poder no país.

O Pasok tem uma pequena maioria no parlamento, com 152 de 300 assentos.

Na última semana, o acordo da União Europeia para o resgate da Grécia foi considerado um avanço para a crise na zona do euro.

Mas Papandreou lançou dúvidas sobre a implantação do plano quando anunciou, na última segunda-feira, que a Grécia colocaria o acordo em votação em um referendo popular.

Opções

Após o anúncio, ele foi chamado para uma conversa urgente durante a cúpula do G20, em Cannes, na quarta-feira, onde o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel disseram que qualquer referendo levantaria a questão sobre se a Grécia quer permanecer na zona do euro.

Eles também disseram que o país não poderá utilizar do dinheiro previsto no acordo até que o referendo aconteça.

Com a participação da Grécia na zona do euro e a ajuda financeira europeia por um fio, Papandreou retornou à Atenas sob pressão para renunciar ao cargo.

Após um dia de tumultos nesta quinta-feira, ele disse aos parlamentares que o diálogo com a oposição para formar um "esquema mais amplo" - aparentemente referindo-se a um governo de coalizão - deveriam começar imediatamente.

No entanto, o líder da oposição disse que o primeiro-ministro "quase destruiu a Europa e o euro" com a proposta de referendo.

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Image caption A proposta de votar o acordo com a UE em um referendo dividiu o governo socialista

Papandreou disse que o referendo sobre o acordo não é um fim em si mesmo, e que há outras duas opções - uma eleição, que, segundo ele, levaria o país à falência, ou um consenso no parlamento.

"Se tivéssemos um consenso, não precisaríamos de um referendo. Se a oposição estiver disposta a negociar, estamos prontos para ratificar este acordo e implementá-lo", afirmou.

Divisão

Mas a divisão dentro do governo ficou clara quando, após defender o referendo, o primeiro-ministro foi contestado por seu ministro das Finanças, Evangelos Venizelos.

Venizelos disse que a decisão do referendo deve ser interrompida e afirmou que a Grécia precisa fazer tudo o que puder para assegurar a seus parceiros europeus que irá implementar imediatamente as condições acordadas com a União Europeia.

O acordo, fechado em 28 de outubro, prevê fortes ajustes nas contas gregas, assim como a redução de 50% da dívida do país junto a credores privados, fruto de uma longa negociação com os bancos.

Além disso, os países da zona do euro concordaram em conceder à Grécia um segundo pacote de ajuda no valor de 130 bilhões de euros, em troca da adoção de medidas de austeridade que incluiriam o corte de salários e a demissão de funcionários públicos.

Analistas dizem que a zona do euro deve resolver rapidamente o problema da Grécia, para evitar que a crise se espalhe por outras economias vulneráveis, especialmente a Itália.

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