Premiê grego tenta evitar colapso do governo em votação no Parlamento

Premiê grego, George Papandreou, faz discurso no Parlamento grego (Foto: Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Papandreou enfrenta enxurrada de críticas de aliados e opositores

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, enfrenta nesta sexta-feira o que analistas consideram o mais importante desafio de sua carreira política, em meio à crise causada pelo dilema entre aceitar a ajuda financeira da União Europeia e concordar em implementar as amargas medidas de austeridade que são uma pré-condição.

Na noite desta sexta-feira, o Parlamento grego vota uma moção de confiança que pode acabar derrubando o governo de Papandreou, abalado pelas reações negativas à proposta de referendo popular para decidir o assunto.

O partido do governo, Posak, controla apenas uma ligeira maioria de 152 cadeiras em um total de 300, e na quinta-feira diversos deputados da legenda haviam indicado que poderiam votar contra o governo.

Entretanto, pelo menos uma deputada que havia ameaçado votar contra o governo, Elena Panaritis, voltou atrás depois que Papandreou retrocedeu na ideia de realizar o referendo, reforçando as incertezas em relação ao futuro político do gabinete.

O anúncio foi interpretado pelos mercados como sinal de que a Grécia pode aceitar a ajuda europeia e continuar na zona do euro.

Por conta disso, os mercados subiram na Ásia: o principal índice da bolsa de Hong Kong subiu mais de 3%, enquanto a alta foi de quase 2% nas bolsas do Japão e da Coreia do Sul.

No meio da manhã na Europa, os indicadores também operavam no azul.

Pedidos de renúncia

O repórter da BBC em Atenas, Mark Lowen, disse que, ainda que consiga se manter no poder após o voto de confiança, o premiê grego pode tentar formar um governo de coalizão para tentar recuperar a estabilidade política.

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Image caption George Papandreou levantou a possibilidade de um governo de coalizão na Grécia

Entretanto, analistas questionam a capacidade de Papandreou de encabeçar qualquer outra formação após a corrosão da sua liderança.

Na quinta-feira, o principal partido de oposição da Grécia voltou a exigir que o primeiro-ministro renuncie ao cargo e pediu eleições imediatas.

Após fazer um discurso no Parlamento, o líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, conduziu os membros do partido de centro-direita em uma saída dramática da casa.

O porta-voz da oposição disse que o primeiro-ministro "quase destruiu a Europa e o euro" com a proposta de referendo.

Em entrevista à BBC, o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, disse esperar que a Grécia forme um governo de unidade nacional e permaneça na zona do euro. "Se há um momento para uma união nacional na Grécia, é agora", afirmou Barroso.

Ele afirmou que "a Grécia está em uma das situações econômicas mais críticas em que um país pode estar". "Eles estão à beira da bancarrota – se não houver uma resposta adequada, não terão dinheiro para pagar escolas, hospitais e as funções básicas do Estado."

"É uma situação excepcionalmente séria", disse.

Entretanto, o chefe do braço executivo europeu admitiu a possibilidade de o país abandonar a moeda comum, se este for o seu desejo.

"Cabe a eles decidir se querem ou não permanecer na zona do euro", ponderou o português. "Acreditamos que é de interesse deles, e queremos que eles fiquem. Acho que o princípio de um país abandonar o euro não é bom. Mas no fim das contas, depende de eles implementarem as decisões tomadas em conjunto."

Divisão

Na última semana, o acordo da União Europeia para o resgate da Grécia foi considerado um avanço para a crise na zona do euro.

Mas Papandreou lançou dúvidas sobre a implantação do plano quando anunciou, na última segunda-feira, que a Grécia colocaria o acordo em votação em um referendo popular. Ele foi imediatamente questionado por diversos ministros, incluindo o das Finanças, Evangelos Venizelos.

O acordo, fechado em 28 de outubro, prevê fortes ajustes nas contas gregas, assim como a redução de 50% da dívida do país junto a credores privados, fruto de uma longa negociação com os bancos.

Além disso, os países da zona do euro concordaram em conceder à Grécia um segundo pacote de ajuda no valor de 130 bilhões de euros, em troca da adoção de medidas de austeridade que incluiriam o corte de salários e a demissão de funcionários públicos.

Após o anúncio, Papandreou foi chamado para uma conversa urgente durante a cúpula do G20, em Cannes, na quarta-feira, onde o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel disseram que qualquer referendo levantaria a questão sobre se a Grécia quer permanecer na zona do euro.

Analistas dizem que a zona do euro deve resolver rapidamente o problema da Grécia, para evitar que a crise se espalhe por outras economias vulneráveis, especialmente a Itália.

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