Santos confirma ajuda de membros das Farc na ofensiva contra Cano

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Image caption Santos disse que os membros das Farc que não deixarem as armas serão presos ou mortos

Em visita ao acampamento onde o líder das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, foi morto em uma ação do governo colombiano, o presidente Juan Manuel Santos confirmou que houve colaboração de membros da guerrilha para se chegar até o local.

Falando do acampamento, no Estado de Cauca, sudoeste do país, Santos declarou que a "Operación Odiseo", nome dado pelo Exército ao trabalho de busca e abatimento de Cano, não foi resultado de sorte ou de coincidência.

"Isso não foi fruto de um único dia de ação, e, sim, produto de um trabalho cuidadoso realizado durante este último ano. E para isso contamos com a ação do Exército, de diversas fontes de inteligência de gente de dentro das Farc", afirmou o presidente.

Santos voltou a classificar a morte de Cano como o mais duro golpe que a guerrilha sofreu em seus 47 anos de existência. Em seu pronunciamento, ele apresentou alguns detalhes da operação, que consistia na perseguição ao líder e a outros chefes do grupo para tirá-los da zona onde tinham estrutura militar e logística.

"Nossa estratégia foi sendo melhorada, mas a ideia sempre foi de obrigá-los a ir a um território novo onde não tinham apoio e cometeriam erros. Com esses erros, nós chegamos a Cano."

Diálogo

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Image caption Morte de Alfonso Cano foi assunto principal da imprensa colombiana

Ao fim do discurso, ele chamou novamente as Farc a abandonar as armas: "Se não se desmobilizarem a alternativa dos guerrilheiros é o cárcere ou a tumba. Aos cabeças das Farc eu digo: há uma mão generosa que lhes pode incorporar a vida civil."

Além disso, o Exército da Colômbia declarou que a operação contra os guerrilheiros continua, com 17 helicópteros patrulhando a área.

Santos também parabenizou o Exército Nacional e chamou os soldados de "heróis da pátria", mas voltou a dizer que esse momento não é de triunfalismo, mas sim de perseverança.

O ministro da Defesa colombiano, Juan Carlos Pinzon, informou que o Exército bombardeou o acampamento e que, em seguida, os soldados chegaram de helicóptero na área e mataram Cano e vários outros integrantes do grupo em um tiroteio.

Fotos do líder das Farc morto, já sem a tradicional barba que costumava exibir, foram mostradas por canais de televisão colombianos.

Cano, um ex-professor universitário de 63 anos cujo nome verdadeiro é Guillermo León Saenz, assumiu a liderança das Farc após a morte de Manuel Marulanda, em 2008. Ele modificou estratégias da guerrilha, com ataques mais agressivos, especialmente contra a população civil.

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