Sarkozy chama Netanyahu de 'mentiroso' em conversa com Obama

Nicolas Sarkozy e Barack Obama. Foto: Getty Images Direito de imagem Getty
Image caption Ocorrido na cúpula do G20, diálogo foi ouvido por alguns jornalistas

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chamou de "mentiroso" o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, durante uma conversa privada com seu colega americano, Barack Obama, de acordo com relatos de jornalistas que ouviram o diálogo.

A conversa foi flagrada durante a cúpula do G20, realizada na última semana em Cannes (França), mas foi relatada somente agora pelo site francês Arrêt sur Images, e confirmada por outras fontes.

"Eu não o aguento mais, ele é um mentiroso", disse Sarkozy, em francês, ao se referir a Netanyahu. "Você pode estar farto dele, mas eu tenho de lidar com ele todo dia", respondeu Obama.

A conversa privada foi ouvida por alguns jornalistas, mas não foi relatada inicialmente, de acordo com o correspondente da BBC em Paris Christian Fraser.

Os repórteres presentes na entrevista coletiva realizada após o encontro bilateral entre Sarkozy e Obama receberam aparelhos de tradução simultânea, mas foram aconselhados a esperar o fim da conversa entre os dois presidentes para ligar os fones de ouvido. Os que não seguiram a orientação acabaram ouvindo os comentários.

Por vários dias, a imprensa francesa calou-se sobre o assunto. Segundo o correspondente da BBC, a decisão foi tomada para não constranger Sarkozy.

Um jornalista do jornal francês Le Monde se referiu à conversa entre os dois presidentes, mas sem citar literalmente as frases. No entanto, jornais israelenses transcreveram o diálogo completo.

Acredita-se que Obama estava confrontando Sarkozy por votar a favor da candidatura palestina para ser membro pleno da Unesco, órgão da ONU para cultura e educação. Os palestinos conquistaram a vaga, apesar da oposição dos Estados Unidos.

Os comentários indicam uma quebra de confiança em relação ao primeiro-ministro israelense, o que pode, segundo Christian Fraser, causar implicações mais graves para o processo de paz no Oriente Médio.

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