Nova resolução da ONU pede fim de violência na Síria

Protestos na Síria. Direito de imagem Reuters
Image caption Os protestos na Síria acontecem há oito meses, apesar da dura repressão do governo

Alemanha, França e Grã-Bretanha estão tentando aprovar uma resolução da ONU pedindo um fim às violações de direitos humanos na Síria.

A resolução, que também pede a implementação de um plano da Liga Árabe para pôr fim à violência, foi apoiada por Arábia Saudita, Catar, Jordânia e Marrocos.

Mas com a divisão do Conselho de Segurança sobre a situação da Síria, ela está sendo proposta em um comitê da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Horas antes, o Ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov disse que a violência na Síria está se tornando "similar a uma guerra civil".

Sua declaração aconteceu um dia depois que soldados desertores teriam atacado uma importante base militar do governo nos arredores de Damasco.

A correspondente da BBC na sede da ONU em Nova York, Barbara Plett, diz que as nações europeias estão buscando uma nova maneira de condenar o governo sírio depois que a Rússia e a China vetara uma resolução que condenava o governo de Bashar al-Assad.

Por isso, os representantes europeus foram buscar um comitê da Assembleia Geral, onde não há poder de veto.

De acordo com Plett, o fato de a resolução ter sido apoiada por quatro países árabes é significativo.

Diplomatas ocidentais esperam que uma maior atuação dos países árabes ajude a vencer a oposição do Conselho de Segurança, porque pedidos da região onde o conflito está acontecendo influenciam fortemente a posição dos membros.

A Alemanha, a França e a Grã-Bretanha fizeram circular um rascunho da resolução no comitê de direitos humanos da Assembléia Geral e diplomatas esperam que ela seja votada na próxima terça-feira.

Se aprovada, ela provavelmente será adotada pelos 193 membros da Assembléia Geral das Nações Unidas.

Na última quarta-feira, a Liga Árabe - que suspendeu a Síria do grupo - deu a Damasco três dias para pôr fim à "repressão sangrenta" e permitir a entrada de observadores internacionais no país.

Os países ameaçaram a Síria com sanções caso o governo se recuse a cooperar.

Ataque rebelde

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Image caption Um grupo de esertores do exército atacou uma base militar em Harasta, no sudeste do país

Relatos não confirmados dizem que seis soldados do governo morreram quando soldados desertores conhecidos como Exército Sírio Livre (FSA, na sigla em inglês) atacaram o prédio da inteligência da força aérea do país em Harasta na quarta-feira.

O ministro russo Sergie Lavrov disse que armas estavam sendo contrabandeadas para a síria para serem usadas pela oposição e que é "necessário parar a violência não importa de onde ela venha", ressaltando que as forças da oposição também devem ser responsabilizadas.

A China afirmou nesta quinta-feira que está "extremamente preocupada" com a escalada de violência no país.

O plano da Liga Árabe, proposto no início de novembro, pede que a Síria retire os tanques das cidades onde acontecem os tumultos, pare com os ataques aos manifestantes e dê início a um diálogo com a oposição dentro de duas semanas.

O presidente Bashar al-Assad concordou com o plano, mas não o cumpriu.

Desde então, segundo grupos de direitos humanos, mais de 370 pessoas foram mortas, no que parece ser o mês mais violento desde o início dos protestos, há oito meses.

A ONU diz que mais de 3.500 pessoas foram mortas desde o início dos protestos em março. As autoridades sírias culpam gangues armadas e militantes pela violência.

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