Egípcios mantêm protesto em praça no Cairo após choques com polícia

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Milhares de manifestantes permaneceram neste domingo na praça Tahrir, no centro do Cairo, apesar de uma tentativa violenta da Polícia Militar de retirá-los e acabar com o protesto iniciado na sexta-feira.

Pelo menos três pessoas morreram nos choques deste domingo. Cenas de batalhas foram vistas na praça durante boa parte do domingo.

Os choques começaram quando manifestantes arremessaram pedras em direção ao prédio do ministério do Interior, vizinho à praça. A polícia respondeu com gás lacrimogênio.

A correspondente da BBC no Cairo Yolande Knell disse que os manifestantes retornaram para a praça, gritando palavras de ordem, apenas uma hora após a ação da tropa de choque.

Os violentos confrontos ocorrem há dois dias no Cairo e outras cidades egípcias.

Jornais egípcios chamam os eventos de “a segunda revolução” e a correspondente da BBC disse os protestos na praça Tahrir parecem com os que derrubaram o governo do presidente Hosni Mubarak em fevereiro.

A uma semana das primeiras eleições parlamentares desde a queda Mubarak, os manifestantes protestam contra um rascunho de constituição que, que segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder após a eleição de um governo civil.

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Image caption Manifestantes e policiais entraram em confronto neste domingo perto da Praça Tahrir

Eles exigem que o líder do governo militar do Egito, marechal Hussein Tantawi, renuncie e seja substituído por um conselho civil.

Morte

A violência no Cairo começou no sábado, quando a polícia tentou retirar manifestantes da praça após protestos na sexta-feira.

No sábado, dois manifestantes foram mortos: um atingido por um tiro no Cairo e outro, por uma bala de borracha em Alexandria.

Cerca de 750 pessoas ficaram feridas, 40 delas das forças de segurança, segundo a TV estatal egípcia.

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Image caption No sábado, manifestantes incendiaram um prédio e um carro da polícia

Manifestantes na capital incendiaram um prédio do governo e um carro da polícia e lançaram bombas caseiras e pedras contra os policiais.

A violência continuou até a noite na praça, quando os policiais se retiraram para ruas nos arredores.

Acampamento

Um acampamento improvisado foi montado na praça, exatamente como o que apareceu em fevereiro, durante os protestos que tiraram Mubarak do poder.

Um hospital temporário foi montado para cuidar dos feridos. Um médico voluntário disse à BBC que várias pessoas têm ferimentos com balas de borracha, principalmente nos olhos.

Uma declaração do gabinete do primeiro-ministro Essam Sharaf pediu que os manifestantes deixem a praça.

"O que está ocorrendo em Tahrir é muito perigoso e ameaça o curso da nação e da revolução."

No sábado, manifestantes incendiaram um prédio e um carro da polícia

No início de novembro, os militares divulgaram um documento com as bases da nova constituição.

Segundo o projeto, os militares e seu orçamento ficaram não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Isso irritou os manifestantes, em sua maioria islamistas e jovens ativistas, que temem que as conquistas feitas durante o levante popular sejam apagadas com os militares mantendo poder.

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