Governo interino do Egito renuncia após nova onda de protestos

Praça Tahir. Egito Direito de imagem AFP
Image caption Ativistas acusam o Exército de fazer manobra para manter poder absoluto sobre futura Constituição

Os ministros integrantes do governo interino do Egito renunciaram nesta segunda-feira em virtude de uma nova onda de protestos que pede pressa na implementação de reformas democráticas no país.

"O governo do primeiro-ministro Essam Sharaf apresentou sua renúncia ao Conselho Supremo das Forças Armadas", disse o porta-voz do gabinete interino, Mohammed Hegazy.

A nota publicada pela agência oficial de informações diz que a Junta Militar, que comanda o país desde a queda de Hosni Mubarak, ainda não aceitou a renúncia.

Mais de 20 pessoas já morreram e 1.800 ficaram feridas nos protestos que voltaram a encher a praça Tahir, no centro do Cairo, epicentro das manifestações que resultaram na queda do regime de três décadas de Mubarak, em fevereiro.

A reprodução deste formato de vídeo não é compatível com seu dispositivo

Os ativistas, a maioria ligado a grupos islâmicos, reclamam da demora na transferência de poder da Junta Militar aos civis.

Eles também acusam os militares de planejarem incluir na futura Constituição do Egito um artigo que dê ao Exército a função de "guardião" da lei máxima do país. Na prática, o artigo abriria caminho para os militares darem a última palavra nas questões dos futuros governos.

A nota oficial diz que "devido às circunstâncias difíceis pelas quais o país está passando, o governo (interino) vai continuar trabalhando".

Uma fonte militar citada pela agência Reuters disse que os militares estão negociando a indicação de um novo primeiro-ministro antes de aceitar a renúncia.

'Contrarrevolução'

Milhares de manifestantes seguem concentrados na praça Tahir.

As primeiras eleições no Egito desde a queda de Mubarak estão marcadas para ocorrer em duas semanas.

Ativistas egípcios, incluindo políticos próximos ao ex-diretor da AIEA (agência nuclear da ONU), Mohamed el Baradei, acusam o Exército de liderar uma "contrarrevolução".

Um novo protesto está marcado para esta terça-feira, pedindo um "governo de salvação nacional".

Os ativistas também querem a antecipação da eleição presidencial para abril de 2012. A Junta Militar chegou a propor que o pleito ocorresse no início de 2013.

Nesta segunda-feira, manifestantes armaram barricadas e voltaram a atacar as forças de segurança com pedras e paus. O protesto foi reprimido com bombas de gás e balas de borracha.

Notícias relacionadas