Rio quer se inspirar em Londres para evitar 'elefantes brancos'

Atualizado em  21 de novembro, 2011 - 18:03 (Brasília) 20:03 GMT
Arena de basquete em Londres. BBC

Estádio de basquete, com capacidade para 12 mil pessoas, custou R$ 110 milhões a Londres.

Como parte dos esforços para evitar 'elefantes brancos' - instalações sem potencial de uso - após a Olimpíada de 2016, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou a compra das estruturas desmontáveis dos estádios de basquete e de polo aquático que serão usados nos Jogos de 2012.

O acordo foi fechado nesta segunda-feira na capital britânica com o prefeito local, Boris Johnson.

Os dois estádios são estruturas temporárias, que serão desmontadas após os Jogos de 2012. Desde que os estádios foram encomendados, o Comitê Organizador Local das Olimpíadas de Londres já previa a possibilidade de repassá-los para outra cidade na Inglaterra ou no exterior.

Paes disse que ainda não tem estimativa de quanto as duas estruturas custarão ao Rio de Janeiro. Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres estimam que o estádio de basquete, com capacidade para 12 mil espectadores, custou 40 milhões de libras – ou mais de R$ 110 milhões.

Paes afirmou que os estádios serão desmontados em Londres e reconstruídos no Rio a partir do final de 2013. Segundo o prefeito, existe a possibilidade de o Rio também comprar uma estrutura temporária que está sendo construída no estádio de natação de Londres para usar nos Jogos de 2016.

Desenhado por um consórcio de três grupos de arquitetura - Sinclair Knight Merz, Wilkinson Eyre e KSS Design Group – o estádio de basquete foi concluído em junho e já foi usado em uma competição em agosto.

No ano que vem, o estádio também será usado para competições olímpicas de handebol, e para o paraolímpico de rúgbi e de basquete de cadeira de rodas. Entre as duas competições paraolímpicas, os organizadores terão apenas 12 horas para fazer alterações necessárias para adaptar a quadra de basquete à prática do rúgbi.

O estádio de polo aquático, que também será temporário, ficará pronto no próximo ano.

Transportes

Paes esteve em visita de três dias a Londres, onde conheceu o Parque Olímpico e algumas das iniciativas da prefeitura local para os Jogos Olímpicos de 2012. O prefeito elogiou a iniciativa de Londres de construir estádios provisórios que podem ser desmontados e revendidos após os Jogos, e disse que pretende copiar a ideia no Rio de Janeiro.

"O Parque Olímpico é um equipamento que a Prefeitura está fazendo dentro de uma parceria público-privado para construir, e Londres optou por uma coisa que eu gostaria de fazer mais ainda que são os equipamentos provisórios", disse Paes, em Londres.

Obras na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. AP

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"Essa é uma maneira de você economizar sem criar elefantes brancos. Esse foi o grande acerto de Londres e o Rio quer fazer igual. Não quer gastar fortunas em estádios. Nós queremos deixar aquilo que custa caro para gastar no que será um legado para a cidade do Rio de Janeiro, como [em obras de] transporte."

O prefeito do Rio também visitou em Londres o centro de controle de transportes da cidade. Londres está esperando receber 9 milhões de espectadores durante os Jogos Olímpicos, e mais de 300 mil atletas e autoridades.

A cidade trabalhou nos últimos seis anos para melhorar a sua rede de metrôs e ônibus. A meta de Londres é reduzir em 30% o número de veículos na cidade.

Cooperação

Os centros de controle de trânsito das duas cidades terão reuniões mensais para trocar experiências na área. Paes elogiou a infra-estrutura de transportes de Londres, mas destacou que a realidade europeia é muito diferente da carioca.

"Esse aspecto é muito diferente. A cidade de Londres tem uma infra-estrutura de transportes fantástica. Eles estão fazendo investimentos em melhoria de trens e estações, mas é uma realidade muito diferente", disse Paes.

Ele disse que ao contrário de Londres, que já possui uma boa rede de transporte há décadas, o Rio de Janeiro precisa fazer muito mais obras.

"O Rio tem muito mais obra do que Londres...Você não vê tanta obra aqui. Você vê [obras] ali no Parque Olímpico, obra de conservação da cidade, melhoria do pavimento, isso e aquilo, mas não tem tanta obra. Agora se você vai no Rio hoje, você xinga o prefeito porque a cidade está engarrafada de tanta obra."

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