Liga Árabe pune Síria, que critica 'interferência'

Refugiados sírios na Turqioa protestam contra Bashar al-Assad, na sexta-feira (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Sírios protestam contra o governo desde março

Membros da Liga Árabe aprovaram neste domingo um inédito pacote de duras sanções econômicas contra a Síria, país que vive uma violenta onda de repressão a manifestantes antigoverno.

Segundo declarações iniciais de autoridades do Catar, as sanções, aprovadas por 19 dos 22 membros da Liga, incluem congelamento de bens e veto a viagens de autoridades sírias, cortes de investimentos e transações comerciais com o país e a suspensão de acordos com o banco central sírio.

Ministros de países árabes haviam redigido as sanções durante um encontro no Cairo, depois de a Síria ignorar um ultimato da Liga Árabe, que tentou enviar ao país uma missão de observadores com o objetivo de monitorar os confrontos entre forças de segurança e manifestantes pró-democracia.

A Síria, por sua vez, rejeitou a iniciativa da Liga Árabe, alegando que o organismo está interferindo em assuntos internos e tentando "internacionalizar" o conflito sírio.

O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, diz que Damasco está retratando internamente a ação da Liga Árabe como uma "conspiração ocidental" para prejudicar o país, por conta de sua resistência tradicional a Israel.

A TV estatal síria descreveu as sanções, antes mesmo de elas serem divulgadas, como "medidas sem precedentes que alvejam a população". E, segundo a agência Associated Press, autoridades sírias consideraram as sanções como uma traição à "solidariedade árabe".

Em meio ao golpe diplomático e econômico contra o regime, confrontos continuavam sendo registrados no país neste domingo, e ativistas alegam que ao menos oito pessoas morreram em manifestações ao redor da Síria.

No sábado, o Exército enterrou 22 militares que também teriam sido mortos nos enfrentamentos.

No total, estima-se que mais de 3,5 mil pessoas tenham morrido no país desde o início dos protestos, em março, segundo cálculos da ONU.

Eficácia das sanções

O correspondente da BBC explica que as sanções provavelmente terão impacto bastante forte na Síria, mas possivelmente não de forma incontornável. Isso porque diversos países vizinhos relutam em impor punições demasiado duras que prejudiquem as relações bilaterais e provoquem uma enxurrada de refugiados sírios em suas fronteiras.

O Iraque, por exemplo, disse que é impossível impor um bloqueio total à entrada de sírios por sua porosa fronteira; o Líbano, por sua vez, se posicionou contra as sanções e dificilmente vai implementá-las. Nenhum dos dois países votou a favor das punições neste domingo.

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