Artigo: Brasil foi país que mais se beneficiou de sigla Brics

Encontro dos Brics em 2008 (Agência Brasil) Direito de imagem ABr
Image caption Inclusão projetou o Brasil para posição que levaria anos para ser alcançada

O Brasil, nos últimos dez anos, sofreu profundas transformações, cujas origens estão na modernização do pais na década dos 90, resultado de bem-sucedido programa de privatização, de estabilização da economia e do fortalecimento do setor bancário. Esses avanços da sociedade brasileira podem ser avaliados em pelo menos três aspectos: economia, área social e política externa.

Na economia, o governo Lula, que fazia oposição ao governo Cardoso, manteve as principais linhas de política econômica: austeridade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante.

Como resultado, o risco Brasil caiu significativamente, o crescimento aumentou, a inflação recuou para níveis de padrão internacional e os fluxos de investimento externo direto só são menores do que os da China.

As reservas internacionais chegam a mais de US$ 350 bilhões, o que oferece um colchão para evitar que as crises externas, como a de 2008 e agora, repercutam negativamente sobre a economia. O comércio exterior mais do que quadruplicou, chegando em 2011 a meio trilhão de dólares, com a China se tornando o principal parceiro do Brasil, superando os EUA.

A internacionalização da economia se acelerou e as multinacionais brasileiras (construtoras, bancos, frigoríficos, de avião, aço, ônibus, têxteis, entre outros) ocupam lugar de destaque no exterior. Hoje o Brasil, em termos de PNB, ocupa o sétimo lugar, devendo passar para o sexto neste ano ao ultrapassar o Reino Unido.

Social

Na área social, os programas de apoio financeiro às populações mais pobres, através do Bolsa Família, o aumento salarial acima da inflação e o crescimento econômico acarretaram a ascensão de mais de 40 milhões de brasileiros para a classe média, que hoje representa mais de 50% dos 190 milhões de habitantes. O mercado interno se expandiu de forma explosiva com o aumento do crédito ao consumidor.

Com forte respaldo de uma economia estável que cresce de forma sustentável, e, com a confiança da comunidade internacional, o Brasil começa a ocupar um espaço mais amplo no cenário externo.

Sua representação externa aumentou significativamente, havendo sido criadas mais de 40 embaixadas sobretudo na África, na Ásia e na América Central e Caribe.

Exterior

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Image caption Missões de paz como a no Haiti devem se tornar mais comuns

O Brasil é um dos principais atores nos organismos internacionais nos temas globais, como meio ambiente, mudança de clima, energia (fóssil e renovável), comércio exterior, água, direitos humanos. Candidato natural a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, quando ficar decidida sua ampliação, o Brasil integra o G-20, novo foro decisório econômico.

O Brasil talvez tenha sido quem mais se beneficiou com o aparecimento da sigla BRIC. A inclusão do Brasil ao lado da China, Índia e Rússia projetou o pais para uma posição que normalmente levaria anos para ser alcançada. Por proposta do Brasil, o grupo foi institucionalizado e passou a se reunir regularmente, criando um fato internacional de relevo pelo peso econômico e político dos quatro países, aos quais agora se juntou a África do Sul.

A crescente presença externa projetou o Brasil, além dos limites da América do Sul, no continente africano e no Oriente Médio em função de seu "soft power", mais do que por qualquer outro fator.

Futuro

No são poucos, contudo, os desafios que o Brasil dever enfrentar nos próximos anos.

No campo econômico, a continuidade da política econômica, a aprovação pelo Congresso de reformas estruturais (tributária, a da previdência social, trabalhista e política) e a redução do custo Brasil - que cresce pela ineficiência burocrática do Estado e pelas altas taxas de juro, pela apreciação do câmbio, pela deficiente infraestrutura e pelo custo da energia - acarretarão o aumento da competitividade da economia em mais de 35%.

O Brasil terá de assumir responsabilidades de liderança e de assistência aos países mais pobres e terá maior participação em operações de paz nas Nações Unidas. O Brasil deixou de ser reativo e cada vez mais se apresenta com uma atitude afirmativa nas relações bilaterais e nos organismos internacionais.

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