Artigo: Avanço do Brasil resulta de reformas e melhora em contas externas

Atualizado em  2 de dezembro, 2011 - 13:27 (Brasília) 15:27 GMT
Colheita no Brasil

Demanda externa por produtos primários ajudou Brasil a trilhar rota de crescimento

Faz dez anos que o economista Jim O’Neill, do Goldman Sachs, cunhou a expressão Brics para definir um grupo de países que passariam a liderar o crescimento econômico nas décadas seguintes. O Brasil era um deles e, medido pela performance da sua economia neste período, uma prova evidente do acerto das previsões de O’Neill.

Principalmente a partir de 2005, o Brasil passou a trilhar uma rota de crescimento continuado que não acontecia havia várias décadas. E o início desta nova marcha pode ser atribuído a dois grandes eventos: um de natureza interna, e o outro criado a partir de mudanças no ambiente externo.

A primeira mudança ocorre com o Plano Real, em 1994/1996, e com as reformas estruturais implantadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso ao longo de seu mandato.

A segunda, a partir de 2001/2002, com o crescimento dos termos de troca do comércio exterior do Brasil em função do aumento da demanda chinesa, e de outros países em desenvolvimento, por produtos primários.

Esse fenômeno levou a uma sequência de melhoras nas contas externas em função do aumento vigoroso dos saldos de sua balança comercial, o que inciou um processo de crescimento das reservas externas brasileiras.

Nação credora

"Para os próximos anos, espero uma moderação desse crescimento, por conta do esgotamento da capacidade em segmentos importantes do tecido produtivo no Brasil. Será preciso uma mudança na política econômica com ênfase maior em questões microeconômicas que permitam vencer esses vários gargalos"

Luiz Carlos Mendonça de Barros

Em 2006, o Brasil passou a ser uma nação credora internacionalmente, com seus ativos externos maiores do que a dívida em moedas internacionais acumulada pelo setor público e setor privado.

O fortalecimento da moeda brasileira que se seguiu levou o setor privado a incrementar suas importações, com dois efeitos importantes sobre a economia. De um lado, a competição externa forçou as empresas brasileiras a aumentarem sua eficiência, principalmente via inovação do sistema produtivo; de outro, as importações funcionaram como uma fonte adicional de oferta de produtos, ajudando o Banco Central no combate à inflação.

Em um ambiente de maior confiança na estabilidade do crescimento econômico, o setor privado passou a investir, e o sistema bancário respondeu com vigor à maior demanda por crédito por parte de empresas e consumidores. O crédito total no Brasil passou de 23% do PIB no início da década para 45% no seu encerramento.

Nesse ambiente, a massa salarial formada pelo aumento do nível do emprego e do aumento real dos salários passa a crescer de forma contínua, o que provoca entre, 2005 e 2006, uma migração de mais de 30 milhões de brasileiros das classes D e E para a classe C, formada pelos brasileiros de renda média.

Construção civil no Brasil, em foto de arquivo

Ambiente de confiança levou o setor privado a investir

O consumo cresce a taxas elevadas e provoca um verdadeiro boom nas vendas ao varejo.

Para os próximos anos, espero uma moderação desse crescimento, por conta do esgotamento da capacidade em segmentos importantes do tecido produtivo no Brasil.

Será preciso uma mudança na política econômica com ênfase maior em questões microeconômicas que permitam vencer esses vários gargalos.

Sem isso, o crescimento vai continuar no Brasil, mas a taxas mais moderadas e inferiores às do período de ouro do governo Lula.

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