Conclusão de refinaria conjunta em PE é 'desafio', dizem Dilma e Chávez

Dilma e Chávez durante encontro no palácio Miraflores Direito de imagem AP
Image caption Para Dilma, refinaria conjunta é exemplo do 'motor do desenvolvimento' regional

Em sua primeira visita à Venezuela, a presidente Dilma Roussef e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, voltaram a se comprometer, na noite da quinta-feira, a concretizar a parceria entre as estatais petroleiras Petrobras e PDVSA no acordo de construção conjunta da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

“Um dos desafios mais importantes que nós vamos concluir é a construção da refinaria Abreu e Lima”, disse a presidente. “Com ela nós vamos também contribuir para o que deve ser uma relação entre dois países em que os dois lados ganham na medida que o Brasil vai importar 100 mil barris diários de petróleo (da Venezuela)”, acrescentou Dilma.

O projeto acordado entre o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez se arrasta há sete anos. Enquanto a PDVSA negociava as garantias para receber um crédito do BNDES para financiamento de 40% da refinaria, o projeto começou a ser construído unilateralmente pela Petrobras, sob ameaça de deixar os venezuelanos de fora.

Na quarta-feira, após uma reunião entre os diretores das empresas, a Petrobras deu um novo prazo de 60 dias à PDVSA para cumprir com as exigências contratuais que lhe permitirá a participação na refinaria, projetada para processar 230 mil barris de petróleo diariamente.

“Temos certeza de que logo faremos o aporte financiero que faz falta para assegurar a refinaria”, afirmou Chávez, de volta à cena pública após meses de tratamento contra o câncer.

Durante o encontro com Chávez, Dilma defendeu a integração econômica entre os países, citando a refinaria como um exemplo do “motor do desenvolvimento” regional.

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Image caption Projeto para a construção da refinaria Abreu e Lima foi firmado entre Chávez e Lula

“Essas medidas mostram o acerto do nosso projeto de transformar a América do Sul em um polo de desenvolvimento endógeno” afirmou.

Durante mais de duas horas de reunião bilateral, Brasil e Venezuela assinaram 11 novos acordos, entre eles o que prevê a participação da Caixa no projeto de construção de 2 mihões moradias na Venezuela.

Também foi acordada a participação da empresa brasileira Odebrecht nos projetos de atividades primárias de exploração petrolífera. Transferência tecnológica nas areas de agricultura e TV digital também aparecem entre os acordos.

Crescimento e inclusão

Ao defender um projeto de integração “de novo tipo”, Dilma disse que a cooperação regional deve apontar ao crescimento das economias locais e da população e que impeça o processo de “exploração de um país por outro, que é a forma clássica que conhecemos”.

Dilma disse que a América Latina está mais bem preparada para enfrentar a crise financeira internacional porque a região adotou “a dinâmica virtuosa ao incorporar nossos povos no processo de desenvolvimento e crescimento”, afirmou.

“Nós de fato trilhamos o verdadeiro caminho do desenvolvimento, que é crescer com inclusão social e distribuição de renda”, afirmou Dilma, ao parafrasear o economista brasileiro Celso Furtado.

Nesta sexta-feira, a presidente participa da abertura da Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), grupo que reunirá os 33 países da América Latina sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.

Em relação à nova instituição, Dilma destacou o caráter de autonomia que pretende ser estabelecido na Celac. “Estamos mostrando a vocação de criar um futuro comum, que une toda a nossa região, sem ingerências de qualquer natureza”, afirmou Dilma. A presidente deve regressar a Brasília no sábado, logo após o encerramento da Cúpula.

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