Apesar de crise, Banco Mundial aponta otimismo de investidores com Brasil

Atualizado em  8 de dezembro, 2011 - 07:01 (Brasília) 09:01 GMT
Construção civil. Agência Brasil

Mias da metade dos entrevistados espera aumentar os investimentos nos países emergentes

A crise na Europa e a instabilidade política em países do Oriente Médio e do Norte da África não reduziram o otimismo dos investidores com países em desenvolvimento, como o Brasil, no médio prazo, diz um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Mundial.

Segundo a terceira edição da pesquisa World Investment and Political Risk (Investimento Mundial e Risco Político, em tradução livre), o Brasil aparece em terceiro lugar entre os países em desenvolvimento nos quais empresas multinacionais estão investindo.

O relatório foi elaborado pela Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA, na sigla em inglês), membro do Grupo Banco Mundial, com base em uma pesquisa conduzida pela Economist Intelligence Unit (EIU) em junho e julho deste ano com 316 executivos sêniores de multinacionais que investem em países em desenvolvimento.

Para o principal autor do estudo, Daniel Villar, a posição do Brasil é resultado das reformas estruturais realizadas ao longo dos últimos 15 anos, que tornaram o país um destino cada vez mais atraente para Investimentos Estrangeiros Diretos (IED).

"Este é um indicador chave de confiança, já que os IED refletem investimentos de longo prazo", disse Villar à BBC Brasil.

Villar observa que em 2010 o Brasil atraiu US$ 48 bilhões (R$ 86 bilhões) em IED, ficando atrás apenas da China, com US$ 185 bilhões (cerca de R$ 331 bilhões).

O dado mostra um grande avanço em relação em 2009, quando o Brasil ocupava a quarta posição, com US$ 26 bilhões (R$ 46,6 bilhões), atrás de China, Rússia e Índia.

Brics

De acordo com o relatório, as crises recentes e a consequente revisão para baixo das perspectivas de crescimento mundial provocaram um aumento das preocupações dos investidores no curto prazo, mas não chegaram a mudar os planos de investimento das empresas na maioria dos casos.

Mais da metade dos entrevistados disse esperar aumentar os investimentos em países em desenvolvimento nos próximos 12 meses.

No médio prazo, o clima é de ainda mais confiança: 75% dos executivos consultados pretendem ampliar seus investimentos em países em desenvolvimento nos próximos três anos.

"Alguns observadores do setor privado acreditam que o Brasil é um dos mercados emergentes com maior potencial de crescimento"

Daniel Villar, pesquisador

Na lista dos principais destinos atuais dos investimentos das multinacionais consultadas na pesquisa, os quatro primeiros lugares são ocupados por países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

O Brasil aparece atrás somente da China e da Índia, e logo à frente da Rússia. A África do Sul ocupa a sétima posição.

O documento indica que Brasil, Rússia, Índia e China receberam 60% do fluxo de IED para países em desenvolvimento em 2010.

Recuperação

De acordo com o relatório, o fluxo de IED para emergentes é um reflexo do forte crescimento dessas economias no período de recuperação da crise econômica mundial.

Enquanto o fluxo global de IED teve crescimento moderado entre 2009 e 2010, passando de US$ 1,26 trilhão (cerca de R$ 2,26 trilhões) para US$ 1,30 trilhão (R$ 2,33 trilhões), nos países em desenvolvimento o avanço foi de 30% no período, saltando de US$ 391 bilhões (R$ 701,5 bilhões) para US$ 507 bilhões (R$ 909 bilhões).

Em 2010, 40% do total de IED foi destinado a economias em desenvolvimento. Para este ano, a previsão é de que respondam por uma fatia de 37%.

Apesar do bom desempenho, os fluxo de IED nos países em desenvolvimento ainda não voltaram ao patamar de antes da crise econômica mundial, em 2008, quando somaram US$ 614 bilhões (cerca de R$ 1,10 trilhão).

Loja popular no Rio de Janeiro. AP

Alguns investidores dizem acreditar que o Brasil é um dos mercados emergentes mais rentáveis

Segundo o relatório, esse patamar só deverá ser ultrapassado em 2013, quando a previsão é de que o fluxo de IED para esses países alcance US$ 660 bilhões (cerca de R$ 1,18 trilhão).

Preocupações

Entre as principais preocupações de curto prazo manifestadas pelos executivos consultados na pesquisa estão a estabilidade macroeconômica dos países em que pretendem investir e dificuldades de financiamento.

No médio prazo, o temor é com fatores como quebra de contrato ou expropriações.

Segundo o autor, o fato de esses riscos estarem mitigados no Brasil leva a crer que o país vai continuar a ser um dos destinos preferidos dos investidores estrangeiros.

"Alguns observadores do setor privado acreditam que o Brasil é um dos mercados emergentes com maior potencial de crescimento", diz Villar.

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