Depois de crise, acordo do clima fica mais próximo

Delegados durante discussões da COP-17 Direito de imagem Reuters
Image caption Falta de consenso entre os países levou à prorrogação das discussões na COP-17, em Durban

Depois de crise, acordo do clima fica mais próximo União Europeia e Índia encontraram denominador comum sobre valor legal de novo documento.

Depois de a temperatura subir e a reunião das Nações Unidas sobre mudança climática beirar o fracasso, um acordo entre Índia e União Europeia voltou a aproximar o encontro de Durban, na África do Sul, de um acordo.

Cerca de 40 horas depois da hora prevista para o fim do encontro, representantes indianos e europeus chegaram a um acordo sobre a redação do texto que serviria de base a um protocolo para cortar emissões de gases do efeito estufa a partir de 2020.

O obstáculo em questão trata do valor legal do documento. O meio termo encontrado foi o uso da frase "resultado com valor legal" para definir o tratado.

Horas antes, após a apresentação da versão final do texto para a análise dos mais de 190 países que participam do encontro, o negociador-chefe brasileiro, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, chegou a ter uma rápida discussão com o ministro da Energia e Climate britânico, Chris Huhne, durante uma pausa.

O bate-boca, que terminou com Figueiredo se afastando irritado, dizendo em inglês: "não me diga isso", teve como estopim a substituição do texto que prevê um dos principais elementos do documento final de "instrumento legal" para "resultado legal".

O artigo trata do plano para redução de emissões de gases do efeito estufa pós-2020, incluindo países ricos e grandes emissores entre os em desenvolvimento.

"Resultado legal"

Depois da discussão, que aconteceu ainda durante a plenária informal, o britânico e seus aliados dos países insulares cogitaram apelar para a Índia por apoio ao texto.

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Image caption Falta de compromisso dos países por cortes vem sendo criticada por organizações não-governamentais

Minutos depois, entretanto, com a retomada da plenária oficial, a ministra da Índia, Jayanthi Natarajan, pediu a palavra e fez um discurso emocionado contra a versão do "resultado legal", afirmando que não aceitaria que seu país fosse feito "bode expiatório" por um possível fracasso.

O representante chinês Xie Zhenhua falou pouco depois, ainda mais emocionado, dizendo que os países em desenvolvimento fazem mais do que os países desenvolvidos para combater as mudanças do clima.

As discussões prometem varar a madrugada, uma vez que depois da assembleia informal será preciso passar pela plenária formal para aprovar os documentos.

Diante do enorme atraso nos procedimentos, alguns países, como o Japão, já retiraram os seus ministros de campo, após orientarem os negociadores-chefes de suas delegações para continuar as discussões.

O tom otimista adotado por representantes do Brasil e da União Europeia, que na quinta-feira, se diziam esperançosos por fechar um pacote que incluiria a continuação do Protocolo de Kyoto e o caminho para um novo acordo global - parece não ter se concretizado.

Entre os problemas a serem resolvidos estão, além do prazo pós-2020 - considerado distante demais pelos países-ilha, pela União Europeia e outros, a ausência de clareza sobre a situação legal do acordo e a proposta sobre a segunda etapa de Kyoto também teriam desagradado.

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