Maioria dos brasileiros veem Primavera Árabe como evento positivo, diz pesquisa

Atualizado em  15 de dezembro, 2011 - 06:40 (Brasília) 08:40 GMT
Protestos contra o governo no Iêmen. Reuters

No Iêmen, protestos levaram à renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh

A Primavera Árabe conta contou com o apoio da maioria dos entrevistados da pesquisa feita pela BBC em 22 países do mundo. Entre os brasileiros, 54% veem as revoltas como um fator positivo. Apenas os russos reprovam, em sua maioria, os protestos que derrubaram regimes autoritários no norte da África e no Oriente Médio.

O continente onde os entrevistados se mostraram mais simpáticos às revoltas que levaram à queda dos governos da Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen é a Europa. Na Alemanha, 78% dos entrevistados se disseram a favor (apenas 14% viram como algo negativo). Na França o apoio foi de 76% e na Espanha 70%.

No Egito, um dos epicentros do movimento, que resultou no fim do regime de três décadas do ex-presidente Hosni Mubarak (agora sob julgamento), a Primavera Árabe foi classificada como muito positiva por 72% dos entrevistados.

Já em Gana, país africano tradicionalmente caracterizado como exemplo de governança, o apoio às revoltas resumiu-se a 48% dos entrevistados (37% veem como algo negativo).

Pouco apoio

Para Doug Miller, diretor do instituto GlobeScann que coordenou a pesquisa, "o apoio à Primavera Árabe é generalizado, mas cauteloso".

"Os resultados sugerem que, fora das democracias estáveis da Europa e da América do Norte, preocupações sobre eventual instabilidade pós-revolução impacta a visão positiva, sobretudo na Rússia, no Paquistão e na Índia, três países particularmente sensíveis ao perigo de levante interno".

O menor apoio à Primavera Árabe se dá justamente na Rússia, onde 43% dos entrevistados veem o movimento como negativo, enquanto 31% têm visão positiva.

No Paquistão, são 40% a favor e 35% contrários. Na Índia, 41% e 30%, respectivamente.

Na China, país que vive sob regime autoritário, 50% dos entrevistados se mostraram simpáticos à revolta e 27% as apontaram como fator negativo.

América Latina

O país com o menor percentual de entrevistados que se disseram contrários à revolta é o Chile, com 12% de desaprovação, apenas.

Já no Equador, 42% dos entrevistados veem a Primavera Árabe de maneira negativa (47%, positiva). No Peru a aprovação também é relativamente baixa – 40% veem o movimento com bons olhos.

A pesquisa foi feita logo após a morte do líder líbio Muamar Khadafi. Foram ouvidas 21.558 pessoas em 22 países de quatro continentes.

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