Ivan Lessa: Partícula apassivadora de Zeus

Essa não! Pensam que somos idiotas? Os físicos, esses materialistas levianos, lançaram a um mundo ignorante, que ainda discute aquecimento e arrefecimento global, mais um elemento facesioso para, mediante desabusada promoção midiática, garantirem suas gordas verbas de pesquisas inúteis.

Físico para mim era o da novamente em moda Marilyn Monroe e o do Johnny “Tarzan” Weissmuller. O resto não passa de empulhação.

Não se pode abrir jornal ou entrar em blog que lá não esteja, muito pimpona, com ares e ademanes superiores, a suposta “polêmica” sobre uma tal de “partícula de Deus”, supostamente resultado de dois experimentos no acelerador LHC (que ninguém explicou direito o que é nem como funciona) que mostraram sinais parecidos ao de uma entidade que daria massa a toda a matéria existente.

Mas os “físicos” anunciam que é necessário mais testes (mais tuturama, certo?) até que possam dizer se a partícula conhecida também como bóson de Higgs é mesmo para valer.

A existência de Higgs já é dúbia, como a Conceição do samba, dele ninguém sabe, ninguém viu.

A trama, que no meu entender possue conexões sinistras, adquire ares patéticos quando se fica sabendo que o tal de “bóson” (parece baixo calão americano), em Portugal, é mais conhecido como “bosão”, o que, seguramente, é nome de guarda-redes, como lá são chamados os goleiros, de equipa (também deles) de terceira divisão, ou então alcunha de proxeneta vendedor de estupefacientes na baixa de Lisboa.“ Ora, já se viu? “Bosão”. Golo contra, físicos, golo contra.

Fato é que nessa desfaçatez toda, mais que o anúncio feito por Obama de que a guerra no Iraque terminara (and how para as centenas de milhares de iraquianos mortos, hem, Barack?), o que me choca é invocarem o nome de Deus em vão.

A “física” não os isenta de mais respeito, senhores “físicos”. Higgs, acelerador de partículas, LHC, Bosão (o nome vem do “físico” bengalês Satyendre Nath Bose, que o Senhor se apiede de sua alma), todos eles e todas essas coisas tentam apenas vedar o Sol da razão com a penosa peneira da ciência.

Falem-me de evolucionismo contra criacionismo e eu levarei a sério e me interessarei.

Uma das poucas dúvidas que ainda se pode ter nestes dias de Twitter e Facebook (já dizem “feice” no Brasil, pois não?) é se descendemos, mesmo o bengalês Bosão, de um peixe que, por tédio, certo dia saltou para a areia, e no piscar de olhos de alguns milhares de séculos, passou de lagarto a macaco e finalmente a este monumento que somos nós todos, seres vivos.

Ou se, por outra, conforme a crença criacionista, segundo narra o Livro de Gênesis: “E Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. E o Senhor formou o homem do pó da terra, e assoprou em suas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se uma alma vivente. Assim Deus criou o homem à sua imagem.

Ele criou o macho e a fêmea. Deus chamou o primeiro homem de Adão; mais tarde, Adão chamou a mulher de Eva.” Aí sim estaremos em território mais seguro, menos espalhafatoso.

Agora se queriam falar da “partícula apassivadora”, aquela que indica voz passiva em frases em que o sujeito é paciente da ação verbal, como em “Vendem-se tóxicos”, que o façam sem botar o pé no pedal e acelerar.

Uma terceira hipótese é a de que não chegaram, os “físicos”, pois não chegam à cintura dos historiadores, uma explicação razoável para a criação e desenvolvimento da Grécia, aquela que foi berço da democracia, da falência fiscal e da divindade conhecida como Zeus, ora pondo tudo para quebrar dentro dos moldes da partícula apassivadora, “Bote-se tudo para quebrar”.

Aí, sim. Mas sem essa de “partícula de Deus”. O mundo já é complicado e chato tal como está.