EUA e ONU suspendem sanções impostas à Líbia

Corrida a banco líbio em sua reabertura, em agosto (Foto: AP) Direito de imagem AP
Image caption Líbia diz que precisa que dinheiro seja liberado para pagar funcionários e garantir 'estabilidade' financeira

O Conselho de Segurança da ONU levantou nesta sexta-feira sanções que recaíam sobre o Banco Central da Líbia e sobre bancos de investimentos internacionais do país norte-africano, informaram diplomatas.

A suspensão das punições - impostas quando o país ainda era comandado por Muamar Khadafi - tem como objetivo aliviar a atual crise monetária vivida pela Líbia.

Também nesta sexta, os Estados Unidos suspenderam "a maioria de suas sanções (impostas ao) governo da Líbia, para manter nossos compromisso com o povo líbio", disse a Casa Branca em comunicado.

O governo interino líbio, que assumiu o comando com a derrubada de Khadafi do poder, em agosto, vinha pressionando pelo fim das sanções e pela liberação dos ativos do país no exterior - estimados em US$ 150 bilhões -, alegando que faltava dinheiro para o pagamento de funcionários e serviços estatais básicos e para financiar a reconstrução do país.

As autoridades interinas alegam que o encerramento das punições é "essencial para a estabilidade econômica e para a confiança do setor bancário" do país norte-africano.

Retaliação a Khadafi

As sanções haviam sido criadas para retaliar o regime de Khadafi por conta da repressão de seu regime às manifestações antigoverno iniciadas em fevereiro.

Algumas já haviam sido aliviadas após a tomada da capital Trípoli pelos combatentes do regime, em agosto. Mas o processo de descongelamento dos ativos internacionais líbios caminhava a passos lentos, por questões legais e técnicas, explica a correspondente da BBC em Nova York, Barbara Plett.

Outro motivo, segundo diplomatas, era a incerteza, por parte dos países onde os ativos estão guardados, a respeito de quem é o verdadeiro dono dos fundos e de se a atual liderança líbia é suficientemente unida para ser confiada com o dinheiro.

O chanceler britânico, William Hague, disse que a liberação dos ativos nesta sexta "marca mais uma movimento significativo na transição líbia".

"Isso significa que o governo líbio agora terá acesso total aos fundos necessários para ajudar a reconstruir o país, garantir a estabilidade e assegurar que os líbios possam fazer transações (financeiras) essenciais para o dia a dia", declarou o ministro em comunicado.

No caso dos EUA, o Tesouro americano disse que liberará mais de US$ 30 bilhões bloqueados do Banco Central líbio e do LAFB (sigla em inglês para Banco Estrangeiro Árabe-Líbio).

"O governo líbio agora tem a habilidade e a responsabilidade pela gerência desses fundos", afirmou o Tesouro dos EUA.

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