Lista de prisioneiros que serão soltos por Israel decepciona palestinos

Atualizado em  16 de dezembro, 2011 - 17:08 (Brasília) 19:08 GMT
Netanyahu e Shalit (Reuters)

Relação integra a segunda parte do acordo que envolveu a soltura do soldado Gilad Shalit

O governo de Israel deve libertar no próximo domingo 550 prisioneiros palestinos como parte da segunda fase do acordo que resultou na liberação do soldado israelense Gilad Shalit no último dia 18 de outubro.

A lista publicada por Israel com os nomes dos prisioneiros escolhidos para serem libertados, no entanto, decepcionou parte da liderança palestina, já que entre eles não estão líderes políticos importantes do grupo Fatah.

Antes da publicação da lista, representantes da Autoridade Palestina lembraram que o ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert (2006-2009) havia prometido ao presidente palestino Mahmoud Abbas que, caso Shalit fosse libertado, o país iria soltar uma quantidade significativa de prisioneiros importantes do Fatah "para fortalecê-lo".

Segundo analistas, o fato de o grupo militante islâmico Hamas ter conseguido libertar dezenas de prisioneiros da organização condenados à prisão perpétua entre os 477 detentos soltos em outubro - na primeira parte do acordo em troca de Shalit - garantiu ao grupo pontos junto ao público palestino em sua disputa com o Fatah.

Penas curtas

As penas de muitos prisioneiros que serão libertados neste domingo terminam em 2012.

A maioria dos detentos que constam da lista foi condenada a períodos relativamente curtos de prisão, por crimes menores como lançamento de pedras, entrada ilegal em Israel ou por serem membros de organizações ilegais.

O primeiro prisioneiro da lista, Sadam Awad Ali Ayad, foi condenado em 2009 a dois anos de prisão, por "fabricação de explosivos, ameaça à segurança da região e lançamento nacionalista de pedras e de materiais incendiários".

De acordo com a sentença, Ayad deveria sair da prisão no próximo dia 22 de dezembro, mas, como consta da lista, sairá quatro dias antes.

Vários outros prisioneiros que constam da lista deveriam ser soltos poucos dias depois.

A Autoridade Palestina e o partido Fatah, dirigidos pelo presidente Abbas, sofreram um golpe duro com a libertação dos prisioneiros do Hamas, em outubro.

Pressão da Europa

Um dos líderes do Hamas na Faixa de Gaza, Halil al-Haya, declarou que o acordo Shalit demonstra que "sequestros de israelenses funcionam".

"Nossos prisioneiros só poderão ser libertados dessa maneira", disse al-Haya, depois que os prisioneiros do Hamas foram libertados.

Desde então países europeus tentaram pressionar o primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, a libertar "prisioneiros significativos" na segunda parte do acordo, para fortalecer a posição de Abbas junto ao público palestino e demonstrar que o caminho da negociação, escolhido pelo Fatah, pode obter resultados.

No entanto, fontes oficiais do governo israelense disseram à imprensa local que, depois que Abbas "tomou a medida unilateral de pedir o reconhecimento da ONU ao Estado Palestino, ele não merece ser agraciado com nenhum gesto de boa vontade".

Para o analista do jornal Haaretz Akiva Eldar, a lista dos prisioneiros a serem libertados neste domingo constitui uma "humilhação" à Autoridade Palestina.

Após a libertação dos 1.027 detentos incluídos no acordo Shalit, permanecerão nas cadeias israelenses mais 4.772 prisioneiros palestinos.

Entre eles, 1.019 não foram levados a julgamento, 552 foram condenados a prisão perpétua, 446 a mais de 20 anos de prisão e 1.176 a penas de 10 a 20 anos.

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