VW suspende envio de e-mails a Blackberrys de funcionários em folga

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Image caption Empregados reclamavam que vida profissional estava se misturando à pessoal

A montadora de carros alemã Volkswagen concordou em impedir que seus servidores parem de enviar e-mails aos Blackberrys de seus funcionários durante suas folgas.

A empresa disse que adotou a medida depois de receber reclamações de que a vida profissional de seus empregados estava interferindo na pessoal.

A restrição se aplica a funcionários que trabalhem na Alemanha e estejam sob contratos negociados por sindicato.

Defensores dos empregados afirmam que a medida não é aplicável a todas as empresas do grupo.

"Nós confirmamos que existe este acordo entre a VW e o conselho de trabalhadores da empresa", disse a montadora em um comunicado, sem entrar em detalhes.

Pelo acordo, os servidores pararão de enviar e-mails 30 minutos depois dos turnos dos empregados, sendo reiniciados 30 minutos antes que eles comecem a trabalhar em respeito ao período de tempo em que não estiverem trabalhando.

A medida não se aplica aos gestores da Volkswagen.

"O acordo foi recebido muito positivamente", disse Heinz-Joachim Thus, que integra o conselho de trabalhadores da empresa, ao jornal Wolfsburger Allgemeine.

Tempo livre

A medida ocorre depois que o executivo-chefe da multinacional de tecnologia da informação Atos, Thierry Breton, resolveu banir e-mails corporativos na empresa, com a justificativa de que seus funcionários gastavam muito tempo de suas vidas com mensagens inúteis de trabalho, tanto no escritório quanto em casa.

No mês passado, a fabricante de produtos de limpeza e higiene alemã Henkel também declarou uma "anistia" a seus funcionários entre o Natal e o ano-novo, dizendo que e-mails internos devem ser enviados somente em casos de emergência.

Analistas de negócios dizem que essas medidas refletem a conscientização das empresas a respeito de um problema.

"É ruim para a performance individual do trabalhador estar online e disponível 24 horas por dia, sete dias na semana. É preciso ter períodos de baixa, é preciso ter períodos nos quais se possa refletir de verdade sobre algo sem precisar instantaneamente ter uma reação", diz Will Hutton, da consultoria The Work Foundation.

"Em segundo lugar, isto tem um impacto ruim sobre o bem-estar do indivíduo. Acho que as pessoas devem ter em mente, com clareza, a linha que divide o trabalho e o não-trabalho", afirma Hutton.

"Então posso ver porque algumas empresas estão tomando esta atitude. O problema é que uma resposta universal para isto é impossível, mas certamente nós devemos ter a capacidade de optar por não participar disso."

Consultas

Autoridades sindicais do Reino Unido alertam às empresas para que evitem repetir a medida da Volkswagen sem realizar consultas prévias.

"A questão dos trabalhadores usando Blackberrys, computadores e outros aparelhos fora do período de trabalho e durante o período de descanso é crescente e que precisa ser administrada, pois ela pode ser uma fonte de estresse", afirma o secretário-geral da central sindical TUC.

"No entanto, outras organizações necessitarão de soluções diferentes, e o que funciona na VW pode não funcionar em outros lugares", diz.

"Por trabalhar em parceria com o sindicato, a política da Volkswagen terá o apoio de todos os seus funcionários. Quando os empregados simplesmente apresentam políticas próprias, por mais bem intencionadas que elas sejam, elas dificilmente terão sucesso."

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