Ivan Lessa: Ói nóis aí!

Escreveu não leu, o pau comeu. O Brasil termina o ano engalanado. O Reino Unido, enganado.

No seboso pau de sebo da economia mundial, nosso Torrão Natal atingiu um ápice extaordinário que a mídia mundial não se cansou de decantar mesmo em páginas que fogem à natureza dos assuntos relativos ao dinheiro e suas múltiplas funções econômicas.

Minha vontade é repetir o fato registrado por peritos idôneos de várias nacionalidades na base da caixa alta (leia-se "letras maiúsculas").

Só não o faço por uma questão de modos, assim como quem toma chá com o dedo mindinho levantado para os céus. Há que se manter a classe mesmo nas grandes vitórias. E esta agora, para o desgosto de meus amigos britânicos, tem um sabor superior ao das partidas internacionais que vencemos aqui em Wembley, feito aqueles 3 a 1 de 1995.

Vou repetir o fato que cada cidadão brasileiro, mesmo os analfabetos, decoraram: o Brasil ultrapassou a Grã-Bretanha e é agora a sexta maior economia do mundo! Não pude resistir a um ponto de exclamação. Foi o meu foguete Caramuru lá da arquibancada do mais conhecido dos estádios locais.

Pouco dias depois de eclodir o fato espetacular, o homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim, declarou que vai investir no ano entrante R$ 10 bi em nosso paisão não mais do futuro, como sempre se repetiu, mas de um rico e glorioso presente, como se duramente conquistado e atochado nas pantuflas desse Natal que passou.

E o mexicano que se cuide. Eike Batista, o teuto-brasileiro que, segundo a revista Forbes, é o oitavo homem mais rico do mundo, está ganindo em vossos calcanhares, ó mexicano Slim!

É uma questão de tempo, de pouco tempo, o grande Eike ultrapassá-lo, "assombrerado" Magrela ("slim" quer dizer "esguio" em inglês; coitado, deve ser bilíngue).

Teve mais neste final de 2011 e muito se pode esperar do olímpico ano de 2012. Passemos a um assunto que os cidadãos do Reino Unido gostam de encher a boca para abordar: o nível educacional do joe public.

Eles, os britânicos, já não são mais o que foram. Nem em paraolimpíada, que tanto cultivam, a se julgar pelos itens diários que constam dos telenoticiários.

Segundo o ministro da Educação, Michael Gove, os atuais exames servidos aqui neste país podem ser comparados a queijo processado, e não cheddar ou stilton. Uma franca e sincera admissão da ignorância dos alunos que por aqui se formam.

Quer dizer, a piada que tanto masoquisticamente amamos, e divulgamos na mídia, não é também privilégio só nosso. Deles temos também as gafes terríveis e (por que não admitir?) hilariantes também.

Eles preferem não espalhar, mas que têm seus equivalentes às nossas ratas, às nossas caras quebradas no capítulo educacional, lá isso têm. Procurei, mas não achei, por uma questão, quero crer, de hacking (ou redacting conforme o linguajar adequado) ufanista local, "pérolas" catadas em exames superiores, "foras" homéricos semelhante aos nossos já proverbiais, e que os exemplos chegaram a pegar no carnaval.

O ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio – pelo menos abre seu jogo e, graças a essa louvável honestidade, deixa que divulguem, com muita honra, sim, senhor.

O primeiro passo para se aprender alguma coisa é debochar do borra-botas a cometê-lo, se não me engano. Sem ter que recorrer a compêndio algum, gutenberguiano ou informático, sapeco lá:

– Os pontos cardeais são dois: bispo e arcebispo.

– O sere umano tem uma missão (...)

– O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes.

– A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.

– Está muito difícil achar pandas na Amazônia.

– A natureza brasileira tem 500 anos e já está quase se acabando.

E por aí afora. O negócio é que nós matamos (ou deixamos escapulir) a cobra e mostramos o pau para quem quiser vê-lo em toda sua pujança.

Aqui, como bons cidadãos britânicos, escondem, lato sensu, disfarçam, passam um lencinho de renda no nariz e, só para os mais chegados, pedem seus sais.

Abram o jogo, gentarada, que é a única maneira de se chegar a um terceiro ou quarto lugar na economia mundial. Basta de hipocrisias e fajutices. O mundo dos negócios é para aqueles que sabem negociá-lo. Tomaram?