Oposição síria se une contra Assad

Protesto contra o governo Assad, na Síria. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Oposicionistas pedem a renúncia do presidente Bashar al Assad na cidade de Adlb

Os dois maiores e mais organizados grupos de oposição da Síria firmaram um acordo neste sábado comprometendo-se a estabelecer uma democracia no país após a eventual queda do regime de Bashar al Assad.

A notícia foi veiculada no mesmo dia em que um observador da Liga Árabe aparece em um vídeo expressando preocupação com o uso de franco-atiradores no alto dos prédios pelo regime, a fim de reprimir os protestos.

O acordo foi assinado pelo líder do Conselho Nacional Sírio, Burhan Ghalioun, e o Comitê de Coordenação Nacional, Haytham Manna, na sexta-feira, no Cairo, segundo fontes ligadas aos dois grupos, citadas pela agência Associated Press.

A aproximação é um dos mais importantes atos da oposição síria desde o início dos protestos, em março. Mais de cinco mil civis já morreram na repressão às manifestações, incluindo mais de 300 crianças, segundo o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Apenas nestes sábado foram seis pessoas. Na sexta foram 27 mortos, segundo contagem de ativistas sírios. Os dados não puderam ser verificados de forma independente porque o regime proíbe cobertura da imprensa estrangeira.

Acordo

Segundo trechos do documento citados pela Associated Press, o acordo rejeita qualquer intervenção estrangeira na Síria e pede a proteção dos civis por todos os meios "legítimos" condizentes com o Direito Internacional.

O documento diz ainda que o regime da família Assad, há quatro décadas no poder, vive um "período de transição".

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Image caption Manifestantes fogem de gás lançado pela polícia em Homs, uma das cidades mais afetadas pela crise

Os dois grupos, que ganharam força e organização durante a Primavera Árabe, também dizem que uma nova Constituição deverá ser redigida e que um "sistema democrático, parlamentar, pluralista e civil" será estabelecido no país. O acordo prevê, ainda, eleições para um novo Paralmente e um novo presidente.

Franco-atiradores

Um vídeo postado por ativistas sírios neste sábado mostra um dos observadores da Liga Árabe conversando com manifestantes e expressando preocupação com franco-atiradores do regime, posicionados no alto de prédios na cidade de Deraa.

No vídeo, sem verificação independente, o observador, um militar sudanês, diz ter visto os franco-atiradores.

Segundo uma fnte citada pela agência alemã DPA, o grupo de observadores da Liga Árabe pediu ao governo sírio a retirada imediata dos atiradores.

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