Líderes europeus alertam para 2012 difícil

Angela Merkel, em pronunciamento na televisão Direito de imagem Reuters
Image caption Angela Merkel falou sobre dificuldades da Europa, em sua mensagem de ano novo

Líderes europeus alertaram, em suas mensagens de ano novo na televisão, que 2012 será difícil no continente, com muitos economistas prevendo uma recessão.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Europa está passando pelo seu "mais duro teste em décadas", mas que a região está ficando cada vez mais unida diante da crise da dívida pública.

"O próximo ano [2012] será sem dúvida mais difícil do que 2011", disse Merkel, em um pronunciamento na televisão alemã.

"O caminho para superar isso [a crise da dívida] continua longo e não sem obstáculos, mas ao final deste caminho a Europa emergirá mais forte da crise do que quando entrou."

Ela também defendeu o euro, afirmando que a moeda facilitou "a vida cotidiana e tornou nossa economia mais forte".

Orçamento francês

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a crise ainda não acabou, e que é necessário fazer reformas estruturais para que a economia volte a crescer.

"Eu sei que a vida de muitos de vocês, já testada por dois anos difíceis, foi testada mais uma vez", disse Sarkozy, em sua mensagem de fim de ano na televisão.

"Vocês estão terminando o ano mais preocupados com vocês mesmos e seus filhos."

O presidente francês, que tentará se reeleger neste ano, prometeu não fazer mais cortes orçamentários. Recentemente o governo da França anunciou mais cortes, para tentar restaurar a confiança do mercado nos títulos da dívida do país, que tiveram sua classificação rebaixada por algumas agências de risco.

"O que era para ser feito foi feito pelo governo", disse Sarkozy, sobre os cortes orçamentários.

Sarkozy e Merkel reunirão-se neste mês para discutir um plano fiscal para a Europa.

'Sacrifícios' na Itália

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, pediu que o povo do seu país faça mais sacrifícios para evitar o "colapso financeiro da Itália", que é a terceira maior economia da Europa.

"Sacrifícios são necessários para garantir o futuro das pessoas jovens, este é o nosso objetivo, e é um compromisso que não podemos evitar", disse Napolitano.

"Estes sacrifícios não serão em vão, especialmente se a economia voltar a crescer."

O premiê grego, Lucas Papademos, também alertou para um 2012 difícil em seu pronunciamento de ano novo.

"Nós temos que continuar nossos esforços com determinação, para que os sacrifícios feitos até agora não sejam em vão", disse ele.

Nos últimos meses, a economia europeia parou de crescer, depois que vários governos começaram programas de cortes de gastos públicos.

As dificuldades cresceram quando o custo de tomada de empréstimos subiu fortemente em alguns dos maiores países da União Europeia, como Itália e Espanha.

Há temores de uma nova crise de crédito mundial, já que muitos bancos estão expostos à dívida pública italiana.

Em uma pesquisa feita pela BBC, 25 de 27 economistas consultados disseram acreditar que a Europa voltará à recessão em 2012.

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