Conheça os principais pré-candidatos republicanos nos EUA

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Image caption A disputa pela indicação republicana começou oficialmente com o caucus de Iowa

Os republicanos deram início em 3 de janeiro, em Iowa, às prévias eleitorais para definir qual dos pré-candidatos do partido disputará com o presidente Barack Obama as eleições presidenciais de 6 de novembro nos Estados Unidos.

Entre os sete pré-candidatos que disputam a nomeação republicana, as pesquisas até agora apontam o favoritismo de Mitt Romney. O ex-governador de Massachusetts venceu a votação em Iowa, apesar de uma diferença de apenas oito votos sobre o segundo colocado, Rick Santorum.

O caucus de Iowa é considerado um teste importante para a viabilidade de uma candidatura, e uma boa colocação representa um impulso para as votações prévias nos demais Estados. No entanto, nem sempre os vencedores no Estado conquistam a indicação final do partido.

Conheça o perfil dos sete aspirantes republicanos:

Mitt Romney

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Image caption Romney é o favorito nas prévias do partido republicano

Após disputar (e perder) a pré-candidatura republicana em 2008, o ex-governador de Massachusetts é apontado como o líder das pesquisas de intenções de voto das prévias atuais, ainda que sua candidatura seja vista com ceticismo pelos eleitores mais conservadores e evangélicos.

Romney é o candidato republicano que mais arrecadou fundos (US$ 32,6 milhões até 30 de setembro de 2011, segundo dados da Comissão Eleitoral Federal americana) e que mais gastou dinheiro em campanha (quase o dobro dos demais candidatos).

Além de ser ex-governador, Romney fundou uma empresa de investimentos e ajudou a organizar os Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City de 2002. Ele tenta convencer o público de que suas credenciais políticas e empresariais lhe ajudariam a resolver os problemas econômicos dos EUA com mais eficiência do que o atual governo democrata.

Entre os mais conservadores, sua candidatura não é bem vista porque Romney, quando governador, assinou uma lei de reforma da saúde similar à promovida recentemente por Obama.

A religião mórmon do ex-governador também é motivo de debate e provoca desconforto entre alguns cristãos evangélicos, influentes no Partido Republicano.

Ron Paul

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Image caption O ex-médico Ron Paul é tido como excêntrico e radical

O congressista texano ganhou apoio entre os republicanos mais libertários com sua defesa de retorno ao padrão ouro, da abolição do Fed (banco central americano) e de sua oposição - incomum entre os republicanos - do militarismo americano e da "guerra às drogas".

Paul, de 76 anos e ex-obstetra, já havia concorrido à candidatura republicana em 1988 e 2008.

Apesar de ter apoiadores convictos, Paul também conta com detratores que criticam sua excentricidade e o radicalismo de suas ideias.

Ele conseguiu arrecadar uma robusta quantia de dinheiro para sua candidatura, mas tem se mantido num nível intermediário nas pesquisas de intenção de voto, sem nunca ameaçar Mitt Romney mas tampouco caindo na irrelevância.

Também é considerado o "padrinho intelectual do Tea Party", movimento ultraconservador dos republicanos.

Rick Santorum

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Image caption Santorum é contra o aborto e os direitos para homossexuais

O ex-senador da Pensilvânia tenta capitalizar em cima de suas sólidas credenciais conservadores, mas a última vez que concorreu em eleições foi em 2006, quando não conseguiu ser reeleito.

Antes de iniciar sua carreira legislativa nos anos 1990, Santorum, de 53 anos, era advogado.

Fez fama política no Senado como um firme opositor do aborto e de direitos para homossexuais, o que lhe garante o apoio de parte do eleitorado mais conservador.

Michele Bachmann

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Image caption A evangélica Bachman é considerada a 'nova "Sarah Palin'

Congressista por Minnesota é um dos expoentes do grupo ultrarradical Tea Party e ganhou fama com seus estridentes ataques a Barack Obama e aos democratas em programas da TV a cabo americana.

Devotada cristã evangélica, Bachmann chegou a liderar brevemente as pesquisas de intenção de voto, mas logo caiu para posições intermediárias entre os pré-candidatos republicanos.

Junto com seu marido, Bachmann é dona de um consultório de assessoria cristã. Frequentemente se refere aos seus cinco filhos e às 23 mulheres que diz ter adotado, e é forte opositora do aborto e do casamento gay.

Representa um dos setores mais conservadores de seu partido e é muitas vezes vista como uma "nova Sarah Palin", tanto por suas posturas políticas como pelas gafes cometidas pela ex-candidata à vice-presidência dos EUA.

Newt Gingrich

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Image caption Newt Gingrich é um dos críticos mais ativos dos democratas

O ex-presidente da Câmara dos Representantes pretende ter um dos retornos mais espetaculares da história política dos Estados Unidos.

Em 1994. ele levou os republicanos ao controle da Câmara pela primeira vez em décadas. Quatro anos depois, o partido sofreu perdas nas eleições parlamentares e Gingrich renunciou.

Mas ao invés de cair no ostracismo, ele se tornou uma fábrica de políticas conservadoras e um feroz atacante dos democratas, escrevendo livros, produzindo filmes, fazendo discursos e aparecendo na televisão para criticar o partido rival.

Gingrich, de 68 anos, que é doutor em História e lecionou brevemente em uma universidade, se apresenta como um intelectual e um inovador.

Ele critica a falta de uma visão compreensiva da política externa dos EUA e advoga por uma "grande estratégia para marginalizar, isolar e vencer os radicais islâmicos ao redor do mundo" como única forma de "obter a vitória".

Rick Perry

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Image caption Perry é o governador atual que está por mais tempo em seu cargo, no Texas

Perry entrou na corrida presidencial republicana em agosto em uma explosão de entusiasmo dos republicanos conservadores ansiosos para uma alternativa mais à direita de Mitt Romney.

O governador do Texas, que sucedeu George W. Bush em 2000, conseguiu arrecadar uma soma considerável de dinheiro rapidamente e chegou ao topo das pesquisas.

No entanto, sua candidatura sofreu com uma série de más performances em debates, incluindo um momento em que não conseguiu se lembrar do nome de um departamento do governo que eliminaria caso fosse eleito.

Um dos pontos principais de sua campanha é a economia, e ele se ancora nos altos índices de criação de emprego no Texas durante seu governo e na disciplina fiscal do Estado.

Em um comício em New Hampshire, ele insinuou que consideraria enviar tropas americanas ao México para combater os cartéis de narcotraficantes, o que implicaria em uma participação mais ativa dos Estados Unidos no país - uma posição diametralmente oposta à do governo e da opinião pública mexicanos.

Após terminar o caucus de Iowa em quinto lugar, Perry anunciou que voltaria ao Texas para reavaliar o futuro de sua campanha e decidir se continua ou não na disputa.

Jon Huntsman

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Image caption Filho de um bilionário, Huntsman já trabalhou para o governo Obama

O ex-governador do Estado de Utah tem uma qualificação diferente dos outros candidatos republicanos: ele trabalhou para o outro lado.

Como embaixador na China durante dois anos no governo de Barack Obama, ele é provavelmente o pré-candidato republicano com a maior experiência em política externa.

Mas em uma campanha conduzida pela ansiedade econômica e pelo desprezo a Obama, ele luta para deixar o último lugar entre os candidatos nas pesquisas e na arrecadação de fundos.

Hunstman, de 51 anos, é filho do bilionário Jon Huntsman Sênior, que fundou uma grande empresa química.

Ele deixou a escola para tocar teclado em uma banda de rock e, anos depois, terminou os estudos e se formou na Universidade da Pensilvânia. Ele também foi um missionário mórmon em Taiwan e embaixador em Cingapura no governo de George Bush pai.

Sua candidatura, assim como a de Mitt Romney, é vista como moderada. Ele criticou o governo Obama em temas relacionados à imigração e disse que há "zero liderança em Washington". Uma de suas propostas é a segurança em todas as fronteiras dos Estados Unidos.

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