Operadora de navio que naufragou acusa capitão de 'erros graves'

Atualizado em  15 de janeiro, 2012 - 21:02 (Brasília) 23:02 GMT
Schettino / Reuters

Schettino nega as acusações e alega que os mapas não indicavam presença de rochas no local do acidente

A empresa que opera o navio que afundou na Itália afirmou, neste domingo, que investigações iniciais indicam que erros cometidos pelo capitão do cruzeiro causaram o acidente.

De acordo com a Costa Cruzeiros, Francesco Schettino teria conduzido a embarcação perto demais da costa, além de não seguir os procedimentos de segurança determinados pela empresa.

"Aparentemente, o comandante cometeu erros de julgamento que tiveram graves consequências", dizia o comunicado da empresa.

Schettino é suspeito de homicídio culposo (sem a intenção de matar) e nega todas as acusações. Ele está sendo questionado pela polícia e alega que o sistema de navegação não mostrava obstáculos no local do acidente.

O navio de cruzeiro - que levava mais de 4.200 pessoas - naufragou na noite de sexta-feira próximo à ilha de Giglio, na Toscana, após se chocar com uma rocha.

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Até a noite deste domingo, autoridades italianas confirmavam a morte de cinco pessoas – outras 15 ainda estavam desaparecidas.

'Fomos os últimos'

Schettino negou as acusações de que teria deixado a embarcação sem prestar auxílio aos passageiros e afirmou que só deixou o navio após terminar o processo de retirada dos ocupantes.

Em uma entrevista transmitida pela TV italiana, ele foi questionado se seguiu a máxima de que "o capitão é o último a deixar o barco". "Fomos os últimos a deixar o navio", respondeu.

O capitão afirmou ainda que, de acordo com as informações de que tinha no momento do acidente, as rochas que provocaram a ruptura do casco do navio não foram detectadas pelo sistema de navegação automática da embarcação.

Segundo ele, as cartas náuticas não indicariam a presença de rochas no local. "Não deveríamos ter tido esse impacto', afirmou. “Pelas informações que tinha, estávamos a mais ou menos a 300 metros das rochas.”

Lua de mel

Neste domingo, os mergulhadores que vasculhavam a embarcação encontraram os dois corpos, de dois homens. Três corpos já haviam sido encontrados no sábado - de dois passageiros franceses e um tripulante peruano

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Outras três pessoas haviam sido encontradas dentro do navio com vida: um casal sul-coreano em lua de mel e um tripulante, que sofreu ferimentos na perna.

A maioria dos ocupantes do navio era de italianos, alemães e franceses. Também havia 53 brasileiros a bordo, sendo 47 passageiros e seis tripulantes. Nenhum brasileiro ficou ferido e muitos já retornaram ao país.

Mergulhadores continuam tentando vasculhar as partes submersas do navio, que tombou lateralmente. A embarcação havia deixado o porto de Civitavecchia na manhã de sexta-feira para um cruzeiro de uma semana pelo mediterrâneo.

Caos

Muitos sobreviventes relataram cenas de pânico e muito falta de organização na retirada dos passageiros após o choque.

Alguns pularam na água gelada e nadaram os cerca de 300 metros que separavam a embarcação de terra firme. Outros se abrigaram no deck do navio e foram retirados de helicóptero.

Também houve relatos de que a tripulação não teria comunicado corretamente as instruções para a saída do navio.

Vários sobreviventes disseram que tiveram de engatinhar pelos corredores já inclinados e compararam o acidente ao naufrágio do Titanic, em 1912, no qual mais de 1.500 pessoas morreram.

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