Jovem diz que nasceu de novo ao deixar edifício antes do desabamento

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Image caption Franco deixou o local uma hora antes do desabamento; zelador do prédio ficou ferido

Na noite de quarta-feira, Leonardo Franco deixou o edifício onde trabalhava no centro do Rio uma hora antes de ele desabar. Assim que chegou em casa, ligou a televisão e viu o buraco no lugar onde estaria o prédio.

"Foi coisa de minutos, eu podia estar lá", diz o carioca de 26 anos, que diz ter nascido novamente.

"Se fosse em horário comercial, teria sido uma catástrofe gigantesca. Cerca de 200 pessoas trabalham naquele prédio."

Franco é responsável pelo controle financeiro do Instituto Cultura em Movimento, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que ocupava um dos dez andares de um prédio que desabou na noite de quarta-feira na rua 13 de Maio, no centro empresarial do Rio.

O edifício foi ao chão depois que o prédio vizinho, de 20 andares, ruiu, derrubando também uma outra construção vizinha, de cinco pisos. Os três prédios ficavam atrás do Teatro Municipal.

As causas do desabamento ainda estão sendo investigadas, mas o prefeito Eduardo Paes afirmou que os indícios apontam que houve uma "falha estrutural".

Franco costumava a ser o último a sair do escritório e ficar até o horário do prédio fechar, às 20h. Na quarta-feira, saiu meia hora antes. Assim que soube da notícia, ligou para o zelador, a única pessoa que ainda estaria no prédio àquela hora.

"Ele não atendeu, mas depois de 20 minutos consegui falar com o chefe dos zeladores, que informou que ele estava com a perna ferida, mas estava bem", conta Franco, que também recebeu diversos telefonemas.

"As pessoas da empresa são muito ligadas, e ontem todos se telefonaram para saber como estavam."

Escombros

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro encontrou três corpos entre os escombros dos três prédios que desabaram no centro da cidade. Mais cedo, a Defesa Civil chegou a anunciar que eram cinco os corpos encontrados, mas corrigiu a informação depois.

Segundo Franco, a tragédia seria maior se o desabamento tivesse ocorrido mais cedo.

"Por sorte, nosso prédio tem hora para fechar, então todo mundo sobreviveu. Mas no outro prédio eu sempre via luzes acesas quando saía do trabalho, porque eles tinham cursos acontecendo", diz Franco.

Ele afirma que uma obra grande estava sendo realizada no nono andar deste edifício mais alto, o mesmo pavimento que sua empresa ocupava no prédio vizinho.

"Depois das 19h, eu sempre ouvia as britadeiras no outro prédio", diz.

'Obras irregulares'

Em entrevista à Rede Globo, o presidente do Conselho de Análises e Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ) afirmou que as duas obras que vinham ocorrendo no prédio de 20 andares eram "ilegais", pois não haviam sido registradas no órgão.

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Image caption Prédios ruíram às 20h30, na área vizinha à Cinelândia, no centro histórico do Rio de Janeiro

Nesta quinta-feira, o perímetro no entorno dos prédios desabados foi interditado e muita poeira sobe dos escombros dos edifícios, onde escavadeiras retiram o entulho.

Os prédios vizinhos também estão interditados. Muitos funcionários que trabalham no local negociam com os guardas o acesso à área para buscar documentos em seus escritórios.

É o caso de Luís Henrique Sanchez, dono de uma empresa de consultoria na área de petróleo, cujo escritório fica no edifício atrás dos prédios que desabaram.

"Estou esperando para ver se me deixam entrar. Preciso pegar documentos pois tenho contas a pagar", disse.

Assim como todos os outros da sua empresa, Franco hoje está trabalhando em casa. Depois de perder escritório, computadores e documentos, eles vão se reunir no fim do dia para decidir quais serão os primeiros passos a tomar.

"A expectativa agora é de reconstrução. Agora é hora de a gente se unir. Temos que nos preocupar com a parte jurídica, com toda a documentação que foi perdida", diz Franco.

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