Rússia diz que não aprovará resolução contra Síria

Homem armado Direito de imagem Reuters
Image caption Soldado desertor patrulha ruas de Damasco com um lançador de granadas

O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se na sexta-feira para discutir uma proposta de resolução contra o governo da Síria, acusado de reprimir violentamente manifestações pelo país.

Com apoio de líderes da Liga Árabe, diplomatas da Grã-Bretanha, França e Alemanha redigiram uma proposta de resolução que pede que o presidente sírio, Bashar al-Assad, deixe o poder.

A Rússia, que é aliada de Assad, afirmou que não pretende apoiar o texto.

Ativistas sírios e a Liga Árabe estão pedindo que a ONU adote medidas mais fortes contra a violência no país, que continua crescendo.

Rússia e China

O representante da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse a jornalistas, depois do encontro em Nova York, que o texto final da proposta de resolução é "inaceitável", mas o governo russo se disse disposto a continuar negociando.

Churkin afirmou que não concorda com ameaças de sanções econômicas e embargo de armas.

A correspondente da BBC na ONU, Barbara Plett, afirma que a Rússia não vai apoiar medidas que impliquem em uma mudança de regime.

A Rússia também teme que um alerta, contido no texto, de mais sanções à Síria, caso o governo do país não adote medidas contra a violência, sugere que pode haver uma intervenção internacional.

No final do ano passado, a Rússia e a China vetaram outra proposta de resolução feita no Conselho de Segurança da ONU. Diplomatas ocidentais esperavam que com o apoio da Liga Árabe à nova resolução, os russos mudassem de opinião.

O texto discutido na sexta-feira coincide em vários pontos com o plano divulgado pela Liga Árabe no começo da semana. Pelo plano, Assad deixaria o poder na mão de outra autoridade, que formaria um governo nacional de unidade em dois meses. O novo governo seria integrado por pessoas que estão hoje na oposição.

O texto da resolução prevê mais medidas contra a Síria, caso nada seja feito em termos de transição política no país.

A resolução só será votada na próxima semana.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, disse que há agora uma oportunidade para o Conselho de Segurança tomar uma atitude clara em relação à Líbia. Já o embaixador francês na ONU, Gerrard Araud, disse que a crise na Síria é de grandes proporções.

O embaixador da Síria na ONU, Bashar Ja'afari, demonstrou irritação com a proposta da resolução.

"Eles estão falando sobre o meu país sem nos consultar, sem dividir conosco as suas preocupações, seus comentários", disse ele. "Eles lidam conosco como se fossemos uma ex-colônia, como se devêssemos nos subjugar à vontade deles. Eles estão errados e eles vão se decepcionar."

Mais violência

Ativistas dizem que nos últimos dois dias, 135 pessoas morreram. O general Mustafa al-Dabi, que lidera uma missão da Liga Árabe, disse que a violência aumentou "significativamente" nos últimos dias.

No começo da semana, ele havia dito que a missão da Liga Árabe estava ajudando a reduzir a violência no país.

Forças da oposição montaram pontos de checagem em partes da capital Damasco. A imprensa internacional tem destacado que as forças do governo não estão conseguindo manter o controle sob todas as partes da capital.

A ONU admitiu que não consegue mais acompanhar o número de mortos. Estima-se que 5,4 mil pessoas morreram desde março do ano passado, quando começaram os protestos.

O governo mantém a versão de que está combatendo terroristas e gangues armadas, e diz que dois mil soldados das suas forças foram mortos até agora.

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