Hillary Clinton pede apoio internacional para oposição na Síria

Imagem divulgada por grupo ativista sírio mostra protesto contra o governo em Damasco (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Manifestantes vêm realizando protestos contra regime de Bashar al-Assad na Síria

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu apoio internacional para a oposição na Síria depois do veto da Rússia e China à proposta de resolução da ONU para encerrar a crise síria.

"Ao enfrentarmos um Conselho de Segurança neutralizado, temos que redobrar nossos esforços fora das Nações Unidas com aqueles aliados e parceiros que apoiam o direito do povo sírio a um futuro melhor", disse Clinton durante uma visita à Bulgária.

"Temos que aumentar a pressão diplomática contra o regime de (Bashar al-) Assad e trabalhar para convencer as pessoas em volta do presidente Assad de que ele deve deixar o poder e de que é preciso (...) haver um novo começo, para tentar formar um governo que vai representar todo o povo da Síria."

Analistas afirmam que Clinton pode estar fazendo alusão à formação de um grupo de nações parecido com o Grupo de Contato para Líbia. Aquele grupo, que reunia países árabes e ocidentais, supervisionou a ajuda internacional a oponentes do ex-líder líbio Muamar Khadafi.

Clinton também afirmou que os Estados Unidos vão trabalhar para aumentar as sanções "regionais e nacionais" contra a Síria, para prejudicar a capacidade do governo sírio de usar armas contra os manifestantes.

"Vamos trabalhar para expor todos aqueles que ainda estão financiando o regime e enviando armas que são usadas contra sírios indefesos, incluindo mulheres e crianças", afirmou.

Durante sua viagem à Bulgária, a secretária de Estado americana ainda afirmou que o veto da Rússia e da China à proposta de resolução da ONU foi "grotesco".

"O que aconteceu ontem (sábado) nas Nações Unidas foi grotesco", disse.

As declarações de Clinton foram feitas no mesmo dia em que pelo menos 28 civis foram mortos pelas forças de segurança na Síria, principalmente na cidade de Homs, segundo o grupo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, baseado em Londres.

Grupos de defesa dos direitos humanos já estimam que mais de 7 mil pessoas foram mortas pelas forças de segurança sírias desde o início da rebelião no país, em março.

A ONU parou de estimar o total de mortos durante os confrontos na Síria quando o número chegou a 5,4 mil, em janeiro, alegando que era muito difícil confirmar os dados.

O governo sírio diz que pelo menos 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos "lutando contra gangues armadas e terroristas".

'Mancha moral'

Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, rejeitaram no sábado a proposta de resolução que defendia "uma transição política, liderada pela Síria, para um sistema político democrático e plural"

O chanceler francês, Alain Juppé, afirmou que o veto dos dois países é uma "mancha moral" na ONU e acrescentou que a Europa vai aumentar as sanções contra a Síria e o "regime terá que perceber que está completamente isolado e não pode continuar".

O chanceler britânico, William Hague, afirmou que os dois países cometeram um "grande erro", e acusou Rússia e China de "virar as costas ao mundo árabe".

O veto já havia sido duramente criticado por diplomatas ocidentais, que se disseram "indignados" e "horrorizados" com a rejeição do texto.

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Image caption Para Clinton, veto na ONU foi 'grotesco'

A proposta de resolução - que contava com o apoio dos outros 13 integrantes do Conselho e da Liga Árabe, representante dos países da região - era considerada por analistas como o esforço mais importante feito até agora pela ONU para solucionar a crise na Síria.

'Licença para matar'

A decisão aconteceu em um dos dias mais sangrentos desde o início do levante contra o governo de Bashar al-Assad, há 11 meses.

Grupos rebeldes e ativistas dizem que um ataque militar contra a cidade de Homs na madrugada de sábado teria deixado dezenas de civis mortos.

Ativistas divulgaram uma lista com 55 nomes de pessoas mortas no bombardeio à cidade. Outros ativistas afirmaram que o número de mortos passava de 200, mas os números não podem ser confirmados.

Ativistas de oposição afirmaram que a Rússia e a China deram ao governo sírio "licença para matar" ao vetar a proposta de resolução da ONU.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne diversos grupos contrários ao governo, pediu que Moscou e Pequim reconsiderem a decisão.

"O CNS considera ambos os países responsáveis pelo agravamento das mortes e genocídio, e considera este passo irresponsável uma licença para que o regime sírio mate sem ser responsabilizado", disse uma declaração divulgada pelo grupo.

A ativista iemenita e vencedora do prêmio Nobel da Paz Tawakul Karman também afirmou que os dois países passaram a ter responsabilidade moral pelas mortes na Síria.

A mídia estatal síria negou que tenha havido uma ofensiva militar em Homs e acusou a oposição de ter inventado os ataques. A imprensa oficial também elogiou o veto de Rússia e China, alegando que ele será um incentivo para as reformas políticas prometidas pelo governo.

A agência estatal chinesa, Xinhua, afirmou que Rússia e China acreditam que é necessário mais tempo para resolver a crise na Síria.

Já o vice-ministro do Exterior russo, Gennady Gatilov, afirmou que os autores da proposta de resolução "não queriam fazer um esforço extra para chegar a um consenso".

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