Síria: Bombardeio a Homs é o mais violento até agora, dizem moradores

Funeral na Síria Direito de imagem AP
Image caption Manifestantes temem realizar funerais como este em Homs devido à ameaça de novos bombardeios

A cidade síria de Homs está sendo bombardeada pelo quinto dia seguido nesta quarta-feira. Segundo testemunhos de residentes à BBC, os ataques a cidade são os mais intensos até agora.

Há relatos de que 18 bebês prematuros teriam morrido, depois que um hospital ficou sem eletricidade e as incubadoras foram desligadas. No entanto, o correspondente da BBC Jim Muir, em Beirute, afirma que algumas mortes divulgadas nesta quarta-feira precisam ser tratadas com cautela, já que não houve confirmação independente.

Manifestantes afirmam que pelo menos 40 pessoas morreram devido ao bombardeio em Homs. Também há informações de violência nas cidades de Zabadani (30 quilômetros ao noroeste de Damasco) e Hama (200 quilômetros ao norte da capital).

Na terça-feira, o presidente sírio, Bashar Al-Assad, havia prometido ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, em um encontro em Damasco, que o governo colocaria fim à violência no país e daria início a um diálogo.

Testemunho

No entanto, testemunhas dizem que a violência dos ataques a Homs aumentou ainda mais nesta quarta.

Um morador na região de Baba Amr, na cidade, disse à BBC que os ataques com foguetes e morteiros são indiscriminados.

"Qualquer casa aqui em Baba Amr é alvo", disse o residente, identificado apenas como Omar. "Você precisa ter sorte para sobreviver. Você precisa ter sorte para seguir vivendo."

"Entre cinco e dez minutos atrás, foguetes atingiram a casa ao lado da minha. Um bebê... a cabeça dela explodiu por causa da pressão dos foguetes."

A Síria está cada vez mais isolada pela comunidade internacional devido à violência no país que começou com protestos contra o governo de Bashar Al-Assad em março do ano passado.

No sábado, a China e a Rússia – que seguem aliadas ao governo sírio – vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que apoiava um plano da Liga Árabe, pedindo a renúncia de Al-Assad.

Na terça-feira, governos do Golfo Árabe anunciaram que vão expulsar os embaixadores sírios nos seus países, e convocar seus diplomatas que estão em Damasco.

No dia anterior, os Estados Unidos haviam fechado sua embaixada na Síria. Vários países europeus também estão retirando diplomatas da capital síria.

O número de mortos no conflito entre o governo e manifestantes varia de acordo com diferentes contagens.

Grupos de direitos humanos dizem que sete mil pessoas foram mortas por tropas do governo desde março. O governo afirma que dois mil integrantes das suas forças de segurança foram assassinados por ativistas.

A ONU interrompeu a contagem de mortos que fazia, afirmando que é impossível averiguar dados com independência. O último dado divulgado pelas Nações Unidas, no mês passado, é de que 5,4 mil pessoas haviam morrido.

Direito de imagem BBC World Service