Síria mantém ataques em Homs; ONU apoia missão ao país

Rebelde sírio durante tiroteio na cidade de Idlib (AP) Direito de imagem AP
Image caption Ataques do Exército sírio contra combatentes rebeldes continuam

O Exército sírio retomou nesta quinta-feira os bombardeios contra a cidade de Homs, deixando ao menos 40 mortos, segundo afirmam ativistas opositores.

Os ativistas afirmam que entre os mortos nesta quinta-feira estão três famílias inteiras. Ativistas estimam que cerca de 400 pessoas foram mortas em Homs desde que a ofensiva começou, no fim de semana. As informações sobre as mortes não puderam ser confirmadas independentemente.

Um médico que trabalha em uma hospital improvisados disse que os feridos estão morrendo por falta de tratamento adequado.

Com vários distritos controlados por forças rebeldes, Homs, a terceira maior cidade do país, tem sido o principal foco das manifestações contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Na noite desta quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a Liga Árabe quer retomar sua missão de observação interrrompida recentemente na Síria e sugeriu que a ONU poderá se juntar a esta missão.

Em um pronunciamento em Nova York, Ban afirmou que o secretário-geral da Liga Árabe, o general Nabil el-Arabi, disse a ele que pediu a ajuda da ONU e propôs uma missão de observação conjunta, com as duas entidades visitando a Síria, incluindo um enviado especial que representasse as duas organizações.

"Estamos prontos para prestar qualquer assistência que possa contribuir com a melhora (da situação)", disse Ban.

No final de janeiro a missão de observação da Liga Árabe na Síria foi suspensa devido à escalada da violência no país, que continua.

Na quarta-feira, testemunhas no bairro de Baba Amr relataram bombardeio intenso de tanques, morteiros, artilharia e metralhadoras pesadas. Mais de 50 pessoas morreram segundo a organização Observatório Sírio para os Direitos Humanos, baseada na Grã-Bretanha.

'Desastroso'

Ban Ki-moon afirmou que o veto da Rússia e da China a uma resolução da ONU contra a Síria, durante o final de semana, foi um desastre para o povo sírio.

"Lamento profundamente que o Conselho de Segurança não tenha sido capaz de falar com uma única voz para encerrar o derramamento de sangue na Síria. Este fracasso foi desastroso para o povo Sírio. Estimulou o governo sírio a aumentar a guerra contra seu próprio povo", afirmou.

Para o secretário-geral da ONU, os ataques dos últimos dias em Homs são uma indicação de que o governo sírio não tem intenção de dar um fim à violência.

"Temo que a brutalidade assustadora que estamos testemunhando em Homs, com armas pesadas disparando em bairros civis, é um precursor sinistro de que o pior está por vir. Esta violência é inaceitável perante a humanidade", afirmou.

Mais cedo, os Estados Unidos rejeitaram o pedido da Rússia, de uma negociação entre o governo da Síria e as forças de oposição no país.

O o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney,afirmou que o presidente sírio, Bashar al-Assad, perdeu a "oportunidade" de diálogo.

"Desde os (primeiros) dias desta situação na Síria, havia uma oportunidade para que o governo de Assad iniciasse o diálogo com a oposição. Ao invés de aproveitar a oportunidade, Assad atacou brutalmente seu próprio povo. Não acreditamos que esta oportunidade esteja disponível", afirmou o porta-voz.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro da Rússia, Vladmiri Putin, fez um alerta contra uma possível intervenção internacional na Síria.

Citando os eventos recentes na Síria e também na Líbia, Putin afirmou que a comunidade internacional deveria deixar os sírios resolver seus conflitos "com independência".

Nesta quinta-feira, o governo interino da Líbia anunciou a expulsão de diplomatas sírios do país.

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