Com discurso à direita, Sarkozy oficializa candidatura à reeleição

Sarkozy, em foto de arquivo Direito de imagem AFP
Image caption Sarkozy nega guinada à direita, apesar de ter abordado a expulsão de imigrantes ilegais

Após meses de falso suspense, o líder francês, Nicolas Sarkozy, oficializou na noite desta quarta-feira a sua candidatura às eleições presidenciais, em abril, e entra na campanha com um discurso mais radical de direita, se posicionando contra o casamento homossexual, a eutanásia e o direito de voto dos imigrantes em votações municipais.

O presidente considerou diferentes possibilidades para fazer o anúncio e acabou optando por uma entrevista ao canal de televisão TF1, realizada durante a apresentação do jornal das 20 horas.

Ao oficializar sua candidatura, Sarkozy declarou que se não disputasse um segundo mandato, isso corresponderia a um "abandono do cargo".

"É possível imaginar um capitão de um navio, que atravessa uma tempestade, dizer que está cansado e que ele desiste?" questionou Sarkozy fazendo referência à "sucessão de crises sem precedentes" que afeta a Europa e o resto do mundo.

Sarkozy tem se posicionado justamente como o "salvador" da crise na Europa e o "protetor" dos franceses, afirmando que a situação social não França não se deteriorou de forma tão grave como na Grécia, na Espanha ou na Itália.

O presidente deu a entender que o slogan de sua campanha será "A França forte!", afirmando que se o governo continuar fazendo as reformas necessárias, o país ficará “protegido” e poderá preservar seu status e seu modelo social.

"Se a França fizer as escolhas certas no mundo atual, ela será forte", disse.

Sarkozy prometeu que trabalhará para que a França continue a ocupar um papel de destaque no mundo, apesar da crise que tem ruído boa parte da economia europeia.

"A França não pode ficar fora dos rumos do mundo e continuar agindo como se a Europa ou o mundo não existissem", afirmou.

Pesquisas negativas

Sarkozy havia previsto lançar sua candidatura somente no final de fevereiro ou início de março. Mas ele teve de avançar seus planos para entrar mais rápido em campanha e tentar, dessa forma, reduzir a grande diferença de intenções de voto que o separa do rival socialista, François Hollande, favorito em todas as pesquisas de opinião.

Em algumas pesquisas, a vantagem de Hollande no segundo turno, que ocorre em 6 de maio, chega a 20 pontos percentuais.

Em a pesquisa Harris Interactive divulgada nesta quarta-feira, Hollande lidera com 28% das intenções de voto no primeiro turno, em 22 de abril, e Sarkozy, em segundo lugar, registra 24%. Ambos conquistaram um ponto percentual.

No segundo turno, de acordo com a mesma pesquisa, o avanço do socialista é ampliado, com 57% das intenções de voto, contra 43% para Sarkozy, que registra dois pontos percentuais a menos do que a mesma pesquisa anterior.

Referendo

Analistas estimam que as eleições presidenciais devem se tornar um referendo a favor ou contra Sarkozy.

Uma pesquisa do instituto CSA realizada recentemente reforça esse tese: 63% dos franceses que pretendem votar no socialista afirmam que a principal razão razão desse voto é o desejo de evitar que Sarkozy seja reeleito.

Além de problemas de imagem e de ter o mais baixo índice de popularidade de um presidente francês nas últimas décadas, o balanço do mandato de Sarkozy é bastante criticado, sobretudo em relação às suas promessas de aumentar o poder aquisitivo da população e de reduzir o desemprego.

Analistas estimam que a pouco mais de dois meses do primeiro turno, nada ainda é definitivo, mas ressaltam que Sarkozy é o presidente em exercício que mais enfrenta, nas últimas décadas, tantas dificuldades para se reeleger.

Desde o general Charles de Gaulle, em 1958, nenhum presidente em exercício passou para o segundo turno das eleições presidenciais em segundo lugar, como indicam as atuais pesquisas de opinião.

"Há vários meses, a diferença de votos entre Hollande e Sarkozy no segundo turno é enorme e, além disso, ela permanece estável, na faixa de15 a20 pontos percentuais", diz Bruno Jeambart, do instituto Opinionway.

"Durante cinco anos, me disseram que fiz muitas reformas. Agora, tudo que não fiz nesse período, me dizem que não tenho mais o direito de falar a respeito do que pode ser feito nos próximos cinco anos. Há uma nova fase que começa", afirmou Sarkozy nesta noite.

Frente Nacional

Sarkozy nega que tenha dado uma guinada à direita em seu discurso, mesmo tendo recentemente sugerido referendos nacionais sobre a facilitação das regras de expulsão de imigrantes clandestinos e sobre a eventual obrigatoriedade de desempregados fazerem cursos de recapacitação compulsórios.

Nesta noite, ele voltou a defender a ideia dos referendos e disse que o primeiro seria sobre os cursos obrigatórios para desempregados de longa data, que deverão, nesse caso, fazer uma formação em outra área para tentar achar outro tipo de emprego.

Estima-se que ele tente, com essas propostas, atrair eleitores do partido de extrema direita Front National, que já haviam contribuído para a sua vitória em 2007, mas que agora se dizem decepcionados pelo presidente.

O novo candidato já abriu nesta quarta-feira uma conta pessoal na rede Twitter e já tem dois comícios previstos nesta semana, um na quinta-feira em Annecy, no leste do país, e outro no domingo, em Marselha, no sul da França.

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