Lucas Mendes: O Belo Bradley

Você gosta de Brad Pitt? Ele é candidato a um Oscar nas categorias de melhor ator com O Homem que Mudou o Jogo, e, como produtor, na categoria de melhor filme com A Árvore da Vida, onde também atua mas não foi indicado.

Ano produtivo. Além dos dois filmes participou no desenho animado Happy Feet 2 com a voz de Will Krill, um dos pinguins protagonistas. Brad é um operário de Hollywood.

Passei várias horas de leitura em busca dos defeitos do homem mais sexy do mundo, marido da mulher mais sexy do mundo, um campeão de bilheteria, de caridade, de indiferença à fama e à celebridade, um casal tão unido e poderoso que é conhecido pelo nome Branjolina ou Brangelina.

Eles têm seis filhos, três biológicos e três adotados, mas nunca casaram de papel passado. Três dos filhos sempre perguntam quando vai ser o casamento. Parece que vai sair.

Num dos perfis, de 16 páginas, as poucas informações aproveitáveis foram que ele masca chicletes, é monossilábico e não preenche os vazios das frases. A excelente perfilista termina exasperada com a impenetrável e impertubável armadura de Brad.

Mas às vezes ele fala. Numa recente entrevista disse: "Estou cansado de pensar sobre mim. Me faz ficar doente."

Sobre os próprios encantos: "Cada um chega neste mundo com suas cartas. As minhas foram muito boas."

Numa carreira que começa em 87, agora com quase 50 filmes, seriados e novelas, Willliam Bradley Pitt tem duas paixõs fora da família Branjolina: cinema e arquitetura.

Longe das telas ele vive o papel de corrigir o mundo. Sua fundação, Make It Right (Faça Direito) ajudou a construir, com os braços e o dinheiro, 150 casas com energia solar e a prova de furacões para pobres numa das áreas mais atingidas de Nova Orleans.

Pediram que ele fosse candidato a prefeito. Brad: "Sou a favor de casamento gay, não tenho religião, quero legalizar a maconha e coletar impostos. Não tenho nenhuma chance."

Com Angelina na dianteira, percorre países da África em várias campanhas de caridade e pela proibição das minas que já mataram e mutilaram milhares de crianças. A filharada sempre vai junta.

Brad tem jeitão mas nunca foi rebelde como James Dean. Cresceu classe média em Missouri, se dava bem com o pai e a mãe, religiosos conservadores, gostava de cinema ao ar livre mas detestava as missas: "Às vezes tinha vontade de soltar um peido fedorento e anunciar, Fui eu!". Sempre se conteve.

Mas não se conteve na faculdade. Quando faltavam duas semanas para se formar em jornalismo decidiu que não era com ele, entrou num carro e foi fazer cinema em Los Angeles. Não foi da noite para o dia mas com aquela pinta seria exagero dizer que ralou. Aos 23 anos emplacou suas primeiras novelas, fez Dallas, alguns seriados e em 91 veio o trampolim com Thelma e Louise.

Nunca mais faltou convite mas já teve de brigar pelo que quer como no filme Money Ball. Não achavam que ele era o homem certo para o papel, passou anos tentando convencer o autor a vender os direitos do livro, o roteiro foi re-escrito várias vezes e só acertaram o pé no terceiro diretor. As expectativas de venda e prêmios para o filme eram baixas.

Ha críticos que não gostam dele e há mulheres que não se conformam que depois de sete anos de casamento trocou Jennifer Aniston por Angelina Jolie.

Costumo dormir nos filmes ruins, mas como pai de cineasta acho um insulto sair do cinema antes do final e a última vez que saí no meio de um filme foi Lendas da Paixão. As novelas latinas têm menos xarope. Soube que ele também ficou infeliz com a edição final.

Há muitos anos fazemos um bolo de Oscar. Eu comprava duas quotas, uma para a minha maltesa, Xuxu, e outra para mim. Ela, fria, votava em quem ia ganhar eu voltava em quem merecia ganhar. Xuxu levou o bolo várias vezes. Este ano Xuxu colocaria a pata dela sem vacilar em Jean Dujardin, do Artista. Eu aposto no Belo Bradley.