Países árabes e ocidentais pressionam por cessar-fogo na Síria

Bairro de Homs sob ataque Direito de imagem AFP
Image caption Enquanto diplomatas discutem na Tunísia, violência continua em cidades sírias como Homs

Diplomatas de diversos países ocidentais e árabes reúnem-se nesta sexta-feira em uma conferência na Tunísia para discutir uma solução urgente para a escalada de violência na Síria, com pedidos por um cessar-fogo.

Países europeus, árabes e os Estados Unidos estão exigindo também que o regime do presidente Bashar Al-Assad permita que grupos de ajuda humanitária tenham acesso às áreas mais afetadas pelos combates.

A Rússia e a China, aliados da Síria que bloquearam resoluções da ONU contra o governo de Damasco, não participam da conferência na Tunísia.

A TV estatal síria classificou o encontro de um "símbolo do colonialismo", e afirmou que os integrantes da reunião serão vistos como "inimigos históricos dos árabes".

Ativistas afirmam que mais de sete mil pessoas morreram nos 11 meses de combates entre forças do governo e manifestantes. Só na quinta-feira, 90 pessoas teriam morrido.

A Cruz Vermelha disse que não recebeu resposta das autoridades sírias a um pedido feito na segunda-feira por um cessar-fogo que permitisse a entrada de ajuda humanitária.

China e Rússia

Cerca de 70 países estão participando da conferência na Tunísia, que foi organizada pela Liga Árabe.

A declaração da conferência deve pedir um cessar-fogo imediato e mais acesso aos grupos humanitários. Também haverá ameaças de novas sanções, caso o governo sírio não tome nenhuma medida.

Também haverá uma discussão para reconhecer o Conselho Nacional Sírio – um dos grupos de oposição – como um dos representantes "legítimos" do povo sírio. No entanto, o grupo não receberá endosso total.

Um grupo de oposição sírio – o Comitê Nacional de Coordenação por Mudança Democrática – boicotou o encontro, dizendo que existe uma "tendência perigosa de se especificar representantes do povo sírio".

Segundo o analista da BBC Jonathan Marcus, um dos objetivos da conferência é chegar a consensos e medidas internacionais sem passar por Rússia e China.

Os dois países vêm dizendo que querem ver o fim da violência, mas são contra pressões internacionais por mudança de regime.

A China afirma que quer ter um papel construtivo no conflito e que esforços internacionais deveriam buscar aliviar tensões e promover a paz e a estabilidade através da "dissolução de diferenças".

EUA, França e Grã-Bretanha

A poucas horas do começo da conferência, a ONU e a Liga Árabe indicaram o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para o cargo de enviado especial à Síria.

Ele disse que pretende conversar com os principais atores políticos da Síria para ajudar a pôr fim à "violência e abusos de direitos humanos".

A secretária de Estado americana, Hilary Clinton, disse que quer ver progresso em três áreas: ajuda humanitária, maior pressão diplomática e econômica contra o regime (através de sanções) e preparação para uma transição democrática de poder.

Ela alertou que a oposição síria está "cada vez mais capaz" e "conseguirá de alguma forma os meios para se defender, assim como tomar medidas mais ofensivas".

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppe, pretende pedir maior pressão sobre a China e a Rússia para que mudem a sua postura.

Já o premiê britânico, David Cameron, dará ênfase à necessidade de uma união internacional.

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