Em meio a ofensiva, Síria afirma que eleitores aprovaram nova Constituição

Membros do Exército Livre Sírio transportam remédios e armas por um rio em Idlib. | Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Ativistas da oposição dizem que bombardeios continuam no país, mesmo após referendo

O governo sírio anunciou nesta segunda-feira que uma nova Constituição foi aprovada pela maioria dos eleitores por meio de um referendo, considerado uma "farsa" por ativistas de oposição e por países ocidentais, enquanto tropas iniciavam uma nova ofensiva no noroeste do país.

De acordo com o ministro do Interior sírio, Mohammed al-Shaar, cerca de 57% dos eleitores compareceram à votação. A nova Constituição, que prevê eleições multipartidárias para o Parlamento em um prazo de três meses, já teria 89% de votos a favor.

O ministro das Relações Exteriores russo disse que o referendo é um "movimento em direção à democracia".

No entanto, opositores dizem que a iniciativa é um "exercício fraudulento de um regime manchado de sangue determinado a se manter no poder a qualquer custo".

No início da manhã desta segunda-feira, as forças sírias deram início a uma ofensiva em diversas cidades na Província de Idlib, no noroeste do país.

O correspondente da BBC no norte da Síria, Ian Pannell, disse que os soldados estão fazendo disparos de morteiros e de artilharia terrestre e antiaérea na cidade de Binnish e em outros locais próximos a Idlib.

De acordo com ativistas, a cidade de Homs, um dos principais redutos da oposição, também permanece sob fogo. Cerca de 30 pessoas teriam morrido em todo o país nesta segunda-feira.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta segunda-feira que pode ser possível, em breve, retirar dois jornalistas ocidentais feridos de Homs.

"Temos o início de uma solução. Parece que as coisas estão começando a se mover", disse ele à rádio francesa RTL.

Na última quarta-feira, o fotógrafo britânico Paul Conroy e a repórter francesa Edith Bouvier foram feridos em um ataque que matou a jornalista americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Remi Ochlik.

Impasse internacional

Também nesta segunda, a China afirmou que a crítica dos Estados Unidos à sua política em relação à Síria é "muito arrogante".

Um comentário no jornal oficial do Partido Comunista Chinês disse que, após a experiência no Iraque, os Estados Unidos não têm o direito de falar pelo povo árabe.

O comentário da China ocorre após pronunciamento da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, dizendo que o veto chinês e russo a uma resolução sobre a Síria no Conselho de Segurança era "desprezível" enquanto "pessoas estão sendo assassinadas".

Enquanto isso, a União Europeia aprovou uma nova rodada de sanções à Síria, que incluem o congelamento dos fundos do Banco Central sírio na Europa e a proibição de viagem aos países do bloco para sete pessoas próximas ao presidente Bashar Al-Assad.

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Image caption Ministro do Interior diz que cerca de 57% dos eleitores compareceram à votação

Voos de carga entre a Síria e a União Europeia também estão proibidos, além de restrições adotadas no comércio de ouro e outros metais preciosos. A UE já havia aplicado à Síria um embargo contra o comércio de armas e petróleo.

O primeiro-ministro do Catar, xeque Hamad bin Jassim al-Thani, disse que a comunidade internacional deveria fazer "o que for necessário" para ajudar a oposição síria, "incluindo dar armas para que eles se defendam".

Bombardeios 'aleatórios'

As forças de segurança sírias estão atacando diversas áreas lideradas pela oposição em Idlib, incluindo as cidades de Sarmin, Maarat al-Numan e Binnish.

O correspondente da BBC no norte da Síria diz que os residentes de Binnish, que esteve sob o controle do Exército Livre Sírio e do Exército de Liberação Sírio, foram acordados pelo som dos bombardeios nesta segunda-feira.

Soldados do governo estão disparando artilharia antiaérea e assumindo posições de infantaria nos arredores da cidade.

Ian Pannell diz que o bombardeio parece ser aleatório, alvejando áreas civis ao invés de posições dos exércitos rebeldes.

O Comitê de Coordenação Local (CCL), um grupo de ativistas que organiza e documenta protestos, disse que 30 pessoas foram mortas pelas forças de segurança em todo o país nesta segunda-feira, incluindo quatro em Idlib.

O Exército também continua a bombardear áreas da oposição na cidade de Homs, no centro do país, pela quarta semana consecutiva, de acordo com oposicionistas.

Ativistas dizem que bombas começaram a atingir os distritos de Baba Amr, Khalidiyam Ashira, Bayada e o centro antigo no início da manhã desta segunda-feira.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que a situação humanitária em Baba Amr caminha para se tornar calamitosa.

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