Alta comissária da ONU pede cessar-fogo imediato na Síria

Representante sírio deixa reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Representante sírio criticou países da ONU pelo apoio a ativistas

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta terça-feira, em reunião realizada em Genebra (Suíça), um cessar-fogo imediato na Síria, acusando os militares do país de atrocidades contra civis.

Após os comentários de Pillay, o representante sírio levantou-se e deixou a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

As forças de segurança sírias intensificaram seus ataques em redutos da oposição nos últimos dias, deixando diversos mortos e feridos, segundo ativistas.

O fotógrafo britânico Paul Conroy, do jornal Sunday Times, está no Líbano depois de ter sido resgatado nessa segunda-feira do distrito de Baba Amr, em Homs, de acordo com o jornal.

Diplomatas relataram à BBC que combatentes da oposição síria e do Exército Livre Sírio ajudaram na operação.

Já o paradeiro da jornalista francesa Edith Bouvier - ferida na Síria - é desconhecido. Inicialmente, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que ela também havia ido para o Líbano, mas a informação foi retificada.

Bouvier e Conroy foram atingidos em um ataque realizado na última sexta-feira contra um centro de imprensa improvisado em Baba Amr, em meio a uma ofensiva de três semanas por parte das forças líbias em áreas rebeldes de Homs.

A reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra foi convocada com urgência, em meio ao aprofundamento da crise humanitária no país.

Um dos temas do encontro é um relatório confidencial, entregue por um painel de especialistas da ONU, que lista oficiais do exército sírio e do governo que podem ser investigados por crimes contra a humanidade.

O ministro de Relações Exteriores francês, Alain Juppé, pediu que as 47 nações integrantes do Conselho estejam preparadas para enviar uma reclamação formal contra a Síria para o Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda.

"A tarefa do Conselho é expressar a repulsa de todo o mundo aos crimes odiosos que o Estado sírio está cometendo contra seu povo", disse ele.

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Image caption Redutos rebeldes na Síria permanecem sob ataque das forças do regime de Assad

Pillay disse ainda ter recebido relatos de "prisões em massa" de rebeldes pelos soldados sírios, que teriam privado civis de comida, água e suprimentos médicos.

'Sanções injustas'

O correspondente da BBC no Líbano Jim Muir diz que é improvável que a reunião provoque mudanças no governo de Damasco, que está lutando para sobreviver.

Segundo Muir, é mais provável que a ONU pressione países como a Rússia e a China, que se opuseram à ação internacional contra a Síria.

O representante sírio Faysal Khabbaz Hamoui, que deixou a reunião do conselho, acusou os países de "incitarem o sectarismo e fornecerem armas" ao rebeldes.

"Sanções unilaterais e injustas impostas por alguns países no povo sírio estão impedindo o acesso a remédios, a combustível em todas a suas formas incluindo a eletricidade e também estão impedindo transferências bancárias para comprar estes materiais", disse.

A União Europeia impôs mais uma rodada de sanções à Síria na última segunda-feira, incluindo restrições bancárias e para viagens.

Mais ataques

Relatos indicam que Homs sofreu nesta terça-feira seu pior bombardeio até agora, com o governo enviando unidades de uma divisão armada de elite para distritos controlados por rebeldes.

Nessa segunda-feira, foram enviadas pela primeira-vez tropas a diversas cidades no norte da Síria.

Cerca de 125 pessoas morreram em todo o país nessa segunda, a maioria delas em um incidente em um posto de verificação em Homs, segundo o Comitê de Coordenação Local (CCL), uma rede de ativistas de oposição ao governo.

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Image caption Fotógrafo britânico e jornalista francesa foram levados para a fronteira com o Líbano

Nesta terça-feira, o grupo disse que outras 60 pessoas morreram, em Homs e Hama. Haveria vítimas também nas áreas próximas a Aleppo, Idlib e Deir Ezzor.

Os relatos não podem ser verificados independentemente, devido à restrição imposta pelo regime do presidente Bashar al-Assad a jornalistas estrangeiros.

Resgate

Acredita-se que o Crescente Vermelho, organização humanitária equivalente à Cruz Vermelha nos países de maioria muçulmana, tenha deixado o distrito de Baba Amr nesta terça-feira, em meio a novos ataques.

Na noite de segunda-feira, a organização retirou três sírios do local, incluindo uma mulher grávida, seu marido e uma paciente síria idosa do distrito, mas não transportou os jornalistas ocidentais feridos, nem os corpos de seus colegas mortos.

Testemunhas ligadas à oposição dizem que o fotógrafo Paul Conroy foi levado clandestinamente para fora de Baba Amr, tendo cruzado a fronteira com o Líbano.

Ainda não há notícias sobre o que aconteceu com os corpos de Marie Colvin e Remi Ochlik, jornalistas mortos no mesmo ataque que feriu Conroy e Bouvier, em Baba Amr, na última sexta-feira.

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