Pelas Malvinas, Argentina abre 'guerra comercial' com a Grã-Bretanha

Placa sobre as Malvinas em Gualeguaychu. | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Conflito entre Grã-Bretanha e Argentina pelas Malvinas é renovado ao completar 30 anos

Em meio à reivindicação para que sejam abertas negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, a Argentina anunciou uma medida que visa dificultar a compra de produtos britânicos, abrindo caminho para uma guerra comercial com a Grã-Bretanha.

Na noite da terça-feira, o governo argentino pediu aos empresários do país que não importem produtos da Grã-Bretanha, substituindo os itens britânicos por similares de outras procedências, de acordo com a mídia argentina.

Por telefone, a ministra de Indústria da Argentina, Débora Giorgi, teria feito o pedido a executivos e empresários das 20 principais empresas nacionais e multinacionais instaladas no país que importam produtos da Grã Bretanha.

Entre os itens que seriam afetados pela medida, estão produtos usados no setor agropecuário, como tratores e inseticidas especiais.

"É fundamental que a Argentina decida quem são seus sócios comerciais e estratégicos, e, neste sentido, o governo também quer transmitir um sinal para os que ainda usam o colonialismo como forma de aceder aos recursos naturais", afirmaram assessores do ministério, de acordo com os jornais Clarín e El Cronista.

'Colonialismo'

A palavra “colonialismo” tem sido repetida nos discursos da presidente Cristina Kirchner quando se refere à Grã-Bretanha e à questão das Malvinas (Falklands, para os britânicos).

Neste ano, que marca os 30 anos da guerra entre os dois países em torno da soberania das ilhas, as autoridades argentinas tem intensificado suas criticas aos britânicos.

A guerra começou em 2 de abril de 1982, com a chegada de tropas argentinas no arquipélago do Atlântico Sul. No entanto, esta é a primeira vez que a disputa é levada ao terreno comercial.

Para o economista Marcelo Elizondo, ex-presidente da Fundação Exportar, ligada ao governo, "não é fácil" substituir as importações britânicas.

"Não é fácil substituir estas importações porque elas são de alta qualidade, e não se encontram em qualquer lugar. E este tipo de medida contra um mercado costuma gerar retaliações", afirmou o economista, que trabalha na consultoria DNI (Desenvolvimento de Negócios Internacionais).

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Image caption Analistas argentinos temem retaliação britânica à restrição de importações

Ele afirma que, na lista de empresas instaladas na Argentina que exportam para o mercado britânico, estão multinacionais como Cargill e Aceitera General Deheza, além de vinícolas nacionais como Norton e Santiago Grafigna.

Restrições a importados

A escalada de tensões diplomáticas entre Argentina e Grã-Bretanha passou para o setor comercial depois que dois cruzeiros, que tinham saído das Malvinas, foram impedidos de ancorar na Província da Terra do Fogo, no extremo sul do território argentino.

A decisão gerou criticas do setor de turismo e empresarial na Terra do Fogo. "Essa é uma forma barata de se praticar a soberania", disse o presidente da Câmara de Turismo de Ushuaia, na Terra do Fogo, Marcelo Leitti.

Atualmente, a Argentina tem superávit comercial com o Reino Unido, embora a relação tenha registrado uma forte queda no ano passado, em comparação com 2010.

De acordo com a consultoria Abeceb, de Buenos Aires, as importações britânicas representam apenas 0,9% de toda a pauta de importados argentinos.

A iniciativa argentina ocorre em um momento no qual o país já vinha implementando medidas para reduzir a entrada de importados e a saída de dólares.

Nos últimos dias, os governos do Paraguai e do Uruguai somaram-se às criticas que vinham sendo feitas por setores da economia brasileira ao aumento das exigências impostas sobre as exportações para a Argentina.

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