Síria inicia ofensiva terrestre, enquanto pressão internacional aumenta

Fogo em Homs (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Autoridade diz que forças sírias vão 'limpar' distrito de Homs

As forças sírias deram início nesta quarta-feira a uma ofensiva terrestre em áreas rebeldes na cidade de Homs, segundo indicam relatos, enquanto a China se une a outros países na pressão internacional em favor de ajuda humanitária para os atingidos pelos ataques.

Segundo o correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Jim Muir, uma autoridade síria não identificada confirmou que o ataque terrestre a Homs - terceira maior cidade do país e bastião dos opositores ao presidente Bashar Al-Assad - já começou, principalmente no distrito de Baba Amr, onde os rebeldes estão concentrados.

A autoridade disse, de acordo com Muir, que as forças de segurança síria vão "limpar" Baba Amr de centenas de combatentes de oposição.

O distrito está sob forte bombardeio das forças sírias há quase quatro semanas. As comunicações com Homs foram quase totalmente cortadas.

Ativistas afirmam que, além da ofensiva terrestre, a cidade sofreu novos bombardeios nesta quarta-feira, com o uso de artilharia pesada, morteiros e tanques.

No último dia 22, um ataque contra um centro de imprensa improvisado em Baba Amr matou a repórter americana Marie Colvin, do jornal britânico Sunday Times, e o fotógrafo francês Remi Ochlik, além de ferir o fotógrafo britânico Paul Conroy e a jornalista francesa Edith Bouvier.

China

Nesta quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, teria dado apoio à "criação de condições" para que os atingidos pelos ataques das forças sírias recebam ajuda humanitária.

Segundo a agência estatal Xinhua, o apoio chinês às medidas de ajuda humanitária foi manifestado em uma conversa por telefone entre Yang e o secretário-geral da Liga Árabe, Navil Al-Arabi, que está liderando os esforços diplomáticos para pressionar Assad.

Yang disse que é uma "tarefa urgente" de ambos os lados do conflito suspender a violência e começar um "diálogo político inclusivo".

"A comunidade internacional deve criar condições favoráveis neste sentido, e fornecer ajuda humanitária à Síria", disse o chanceler, de acordo com a Xinhua.

Mudança de tom

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Image caption Chanceler chinês manifesta apoio a ajuda humanitária para civis atingidos

Esta postura representaria uma mudança de tom da China em relação ao conflito no país árabe. A China, ao lado da Rússia, foi amplamente criticada por vetar, no último dia 4, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que pedia a saída do presidente sírio.

Na semana passada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chamou o veto russo e chinês de "desprezível".

Enquanto isso, uma nova resolução está sendo redigida no Conselho de Segurança, com foco no acesso de ajuda humanitária aos feridos na Síria, na esperança de que China e Rússia venham a dar apoio à medida. O texto está sendo elaborado pelos Estados Unidos e pela França.

O correspondente da BBC em Pequim Damian Grammaticas diz que, atingida pelas críticas da comunidade internacional, a China parece estar tentando recuperar os danos causados em suas relações diplomáticas com a Liga Árabe.

Nessa terça-feira, a ONU afirmou que mais de 7,5 mil pessoas já morreram devido ao conflito na Síria.

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