Costa Allegra chega a porto; passageiros relatam dificuldades a bordo

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Image caption Passageiros do Costa Allegro aguardam o desembarque em porto nas Ilhas Seicheles

O navio Costa Allegra chegou ao porto de Mahé, nas Ilhas Seicheles, onde as mais de 1000 pessoas a bordo foram levadas para terra firme. O passageiros relataram à imprensa e a autoridades as condições no interior da embarcação nos últimos três dias.

O navio, que ficou à deriva na segunda-feira e foi rebocado por um barco pesqueiro francês por dois dias, pertence à Costa Cruzeiros, mesma operadora do navio Costa Concordia, que naufragou na costa italiana em janeiro, provocando a morte de 32 pessoas.

De acordo com a Costa Cruzeiros, mais de metade dos passageiros do Costa Allegra decidiu permanecer de férias em Seicheles.

Um comunicado da empresa informa que 241 ficarão por duas semanas em resorts nas ilhas Praslin, La Digue, Silhouette e Cerfs. Outros 135 ficarão por mais uma semana.

Os demais 251 que estavam à bordo decidiram voar para Roma. A empresa afirma estar arcando com todas as despesas.

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Image caption Funcionárias da Costa Cruzeiros orientam passageiros que querem deixar imediatamente as ilhas, no Oceano Índico

No desembarque, a prioridade foi para os passageiros que demandavam algum cuidado médico.

Pão com salame nas refeições

As condições dentro do navio eram bastante precárias nos últimos três dias. Não havia água corrente e ar-condicionado. Banheiros não estavam funcionando. Suprimentos como comida e água foram levados ao navio por helicópteros. Uma passageira afirmou à BBC que, depois que as frutas a bordo terminaram, os passageiros comeram apenas pão branco e salame.

O navio ficou à deriva após um incêndio atingir três geradores. Todos os equipamentos de navegação pararam de funcionar. A área onde o incidente aconteceu é conhecida por ser uma das mais vulneráveis a ataques de piratas, o que exigiu vigia constante de autoridades durante a operação de reboque.

Após o desembarque, passageiros revelaram ter vestido coletes salva-vidas imediatamente após o início do incêndio. Mas quando o fogo foi controlado, foram informados que continuariam no Allegra.

Um dos passageiros, um americano identificado como Chris, afirmou à agência AFP ter "pensado que o pior aconteceria".

"Imaginei que teria que pular no mar. Mulha mulher estava apavorada".

Investigadores italianos ouviram os passageiros a respeito dos incidentes no navio. O capitão da embarcação, Nicolo Alba, afirmou que os passageiros "jamais correram qualquer perigo".

A embaixada do Brasil na Tanzânia confirmou à BBC Brasil a presença de dois brasileiros a bordo. O Itamaraty não autorizou a divulgação de seus nomes.

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